CAOS NO ABASTECIMENTO

Água com fezes e descaso: DAE e Prefeitura de Várzea Grande na mira do Ministério Público

A crise no abastecimento em Várzea Grande fica ainda mais sensível com a perspectiva de reajuste nas tarifas de água e esgoto de 21,74%

por Com FTN Brasil

25 de Março de 2026, 11h47

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Divulgação

O município de Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, volta ao centro de uma crise hídrica que se agrava a cada no que passa. Além da constante falta de água nas torneiras, a população agora enfrente uma denúncia ainda mais grave: a presença de coliformes fecais e outras irregularidades no sistema de abastecimento.


O Ministério Público Estadual acionou a Justiça contra o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE) e a Prefeitura após análises apontarem problemas na qualidade da água distribuída. A ação civil pública, com pedido de liminar, foi proposta pelo promotor Carlos Henrique Richter, da 6ª Promotoria Cível, e expõe um cenário que vai além da escassez, trata-se de um risco direto à saúde pública.

Segundo as investigações, baseadas em inquéritos civis, o problema não é recente. Falhas estruturais e operacionais se arrastam há anos sem solução efetiva, mesmo diante de sucessivas reclamações da população.

Moradores têm sido enfáticos em sua insatisfação com a gestão do abastecimento. "Rapaz, vou te falar. A situação aqui em Vegê já passou do limite faz tempo. A gente já tava acostumado a sofrer com a falta de água, né? Dia sim, dois dia não e quando vem, vem fraca e suja… agora me aparece essa notícia de que a água pode estar contaminada com esgoto misturado? Isso é revoltante demais. Como que a gente paga por um serviço que não funciona direito e ainda tem risco de adoentar dentro da própria casa?", desabafa Jhonny Nunes, morador do bairro Colinas Douradas.


O sistema apresenta irregularidades tanto na rede convencional quanto no abastecimento emergencial por caminhões-pipa, alternativa que deveria amenizar a crise, mas que também levanta suspeitas quanto à qualidade da água entregue.

Conta mais cara

A crise no abastecimento em Várzea Grande fica ainda mais sensível com a perspectiva de reajuste nas tarifas de água e esgoto de 21,74%, autorizado pela da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (Ager‑MT) em 2025 para recompor perdas acumuladas desde o último aumento em 2022, decisão que desencadeou forte descontentamento popular, já que muitos moradores veem como injusto pagar mais por um serviço frequentemente falho e com problemas de qualidade.

"A gente se sente desrespeitado largado mesmo. E para piorar, ainda estão falando em aumentar imposto em cima da água? Sério isso? A gente já tá no limite. Antes de pensar em aumentar qualquer coisa, tinha que resolver o problema. Porque do jeito que tá não dá pra aceitar mais não", acrescentou Jhonny.

A ação do Ministério Público busca obrigar o município e o DAE a adotarem medidas urgentes para regularizar o sistema. No entanto, para os moradores, a sensação é de desgaste e descrédito diante de um problema antigo que, até agora, só se intensifica.

Ineficiência Hídrica

Na prática, Várzea Grande vive um paradoxo. Falta água em diversas regiões da cidade, e quando ela chega, não há garantia de qualidade. O problema, que deveria ser tratado como prioridade absoluta pelo poder público, segue sem respostas concretas, enquanto a população arca com as consequências.

A crise da água em Várzea Grande já não é apenas uma questão de infraestrutura, é um retrato da ineficiência na gestão de um serviço essencial. E, enquanto soluções não saem do papel, o prejuízo continua chegando, dia após dia, na casa de cada cidadão.