Caso Cachoeira
Pagot evita falar sobre Wellington, mas promete 'toda a verdade' na CPMI
Ex-diretor do DNIT concedeu entrevista exclusiva ao GazetaMT nesta semana, mas evitou falar sobre o parlamentar do PR
25 de Abril de 2012, 07h59
O ex-diretor do DNIT, Luis Antonio Pagot, disse que só voltará a falar na CPMI sobre o suposto envolvimento do deputado Wellington Fagundes (PR) no esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Pagot não quis comentar a nota e nem a entrevista concedida pelo parlamentar a uma emissora de TV em Cuiabá negando lobby em favor da empresa Delta. A empresa é apontada como o principal instrumento no esquema de corrupção que teria como chefe o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Em sua defesa Wellington Fagundes tem dito que em nenhum momento buscou beneficiar a empreiteira e que reivindicou apenas mais celeridade na obra realizada pela Delta na BR 163, na Serra de São Vicente. O problema é que parte da demora ocorreu porque o DNIT, então gerido por Pagot, obrigou a empreiteira a remover e refazer vários trechos considerados fora das especificações do contrato. A empresa, que já recebeu mais de R$ 26 milhões do Governo Federal, teria utilizado material de má qualidade na obra.
A reportagem do GAZETAMT perguntou a Pagot se o parlamentar sabia o motivo do embargo feito pelo DNIT, o que poderia indicar que a alegada 'celeridade' fosse na verdade uma tentativa de livrar a empreiteira de punições e novos desembolsos por causa das falhas na execução. Pagot sorriu e, após um breve silêncio, respondeu que só falaria sobre isso quando for convocado no Congresso.
"Não quero alimentar discussões com parlamentares via imprensa. Sustento tudo o que eu disse, mas, daqui para frente, só voltarei a falar sobre essa questão do deputado Wellington Fagundes se for inquirido pela CPMI. Todas as informações serão prestadas lá", informou.
Na segunda-feira (23) Luis Antonio Pagot oficializou sua desfiliação do Partido da República, que em Mato Grosso é presidido justamente pelo deputado Wellington Fagundes. O parlamentar exerce seu sexto mandato na Câmara Federal e sempre teve forte influência sobre o DNIT, inclusive na indicação de nomes para chefiar o órgão no Estado.