Municipalismo

Prefeitos cobram de deputados defesa de temas de interesse dos municípios

Eles querem apoio em questões como a distribuição dos royalties de petróleo e gás, renegociação de dívidas e aumento do FPM

por GazetaMT

25 de Maio de 2014, 10h19

Prefeitos cobram de deputados defesa de temas de interesse dos municípios
Prefeitos cobram de deputados defesa de temas de interesse dos municípios

As reivindicações foram discutidas durante o 31º Encontro de Prefeitos promovido pela AMMDurante o 31º Encontro de Prefeitos Mato-grossenses, os gestores se reuniram com os parlamentares da bancada federal de Mato Grosso. Na ocasião foi discutida a situação dos municípios em relação aos projetos que tramitam no Senado e na Câmara dos Deputados. O objetivo é lutar pela aprovação dos projetos, e para isso, a proposta é a união dos parlamentares para reforçar a bancada da região Centro-Oeste. A AMM está se unindo à Associação dos Municípios do Mato Grosso do Sul e de Goiás para pedir o empenho dos parlamentares federais na votação das matérias de interesse de municípios de todo o país.

Os principais itens da pauta de reivindicação são os seguintes: aumento de 2% do Fundo de Participação dos Municípios, a reformulação da Lei Complementar 116/2003 (ISS), a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, apreciação pelo Supremo Tribunal Federal da Lei 12.734/2012 com a redistribuição dos royalties de petróleo e gás, encontro de contas das dívidas previdenciárias e luta contra a aprovação de pisos nacionais.

O presidente da AMM, Valdecir Luiz Colle, Chiquinho, disse que na Marcha em Defesa dos Municípios, realizada este mês, os prefeitos reforçaram as reivindicações e pediram aos parlamentares que façam uma pressão junto ao Governo Federal, além do acompanhamento da votação dos royalties. Segundo ele, a presidente Dilma Rousseff fez um compromisso com os prefeitos, em relação ao repasse dos 2% do FPM e a distribuição dos recursos dos royalties para os municípios brasileiros. "Os municípios passam por dificuldades e precisam do apoio da bancada de Mato Grosso. Temos que lutar muito por uma distribuição justa do bolo tributário. A União concentra a maior parte dos recursos, enquanto os municípios ficam com a menor parte", assinalou.

O deputado Eliene Lima, líder da bancada de Mato Grosso, frisou que a revisão do pacto federativo é uma das reivindicações antigas dos prefeitos, além do aumento de outras receitas para os municípios.

O deputado Wellington Fagundes destacou que atualmente o maior volume de recursos vai para São Paulo e Rio de Janeiro e lembrou ainda que as regiões Nordeste, Sul e Sudeste têm as bancadas mais fortes no Congresso, por este motivo Mato Grosso deve se unir com os demais estados do Centro-Oeste para fortalecer o municipalismo. "Desta forma, vamos lutar por mais recursos da União. Muitas demandas dos municípios precisam da mobilização para a votação das matérias no Congresso", frisou.

Pauta de reivindicação
O aumento de 2% do Fundo de Participação dos Municípios encabeça a pauta de reivindicação dos municípios. As propostas de emenda constitucional que estão tramitando no Congresso (PEC 39/2013 SF e PEC 341/2013 CD) alteram a participação FPM dos atuais 23,5% para 25,5% da arrecadação nacional do IPI e do IR. Isso representaria, em 2014, um aporte de mais de R$ 7,2 bilhões aos cofres municipais, auxiliando, sobretudo, os pequenos e médios municípios, que têm no FPM uma de suas mais importantes fontes de receitas. No dia 3 de junho haverá uma mobilização em Brasília para reivindicar a aprovação do aumento do FPM.

A reformulação da Lei Complementar 116/2003 ISS também é destaque na pauta. O projeto pretende, além de incluir novas atividades econômicas na LC 116/2003, resolver o problema da guerra fiscal no ISS, alterando as operações de leasing, as operações com cartões de crédito e débito e a pacificação do entendimento da tributação das obras de construção civil. Com isso, será possível arrecadar, aproximadamente, R$ 5 bilhões a mais a cada ano e promover uma melhor equidade de receitas entre os municípios.

Os gestores também pleiteiam as desonerações do Imposto de Produtos Industrializados somente da parcela da União. O governo federal pode conceder renúncias de impostos para fomentar a economia. E, nestes últimos anos, uma das principais políticas macroeconômicas foi a de desonerações no IPI. O problema disso é que o IPI compõe o FPM, e a cada desoneração acaba acarretando menos FPM aos municípios.

A pauta também cobra a apreciação pelo Supremo Tribunal Federal da Lei 12.734/2012 com a redistribuição dos royalties de petróleo e gás. A CNM, com o movimento municipalista, conseguiu - após imensa luta junto ao Congresso Nacional - derrubar o veto a Lei 12.734/2012, que redistribui de forma mais justa os royalties de petróleo e gás das plataformas continentais. Esta lei encontra-se sob judice no STF esperando a manifestação da suprema corte sobre a sua constitucionalidade.

Os prefeitos também reivindicam o encontro de contas das dívidas previdenciárias. A CNM pautou a questão do encontro de contas das dívidas dos entes municipais junto à Previdência. Ou seja, abater da dívida dos municípios o que a Previdência deve a eles.