SAÚDE

Ainda com dívida do Estado, Santa Casa de Rondonópolis corre risco

Dívida atual ultrapassa R$ 7 milhões e preocupação é com nova paralisação do Corpo Clínico

por Reportagem: Robson Morais / Fotos: Luan Dourado

25 de Maio de 2017, 15h06

Ainda com dívida do Estado, Santa Casa de Rondonópolis corre risco
Ainda com dívida do Estado, Santa Casa de Rondonópolis corre risco

A visita do governador do Estado, Pedro Taques -PSDB, na última terça-feira, 23 serviu para que novamente a Santa Casa de Rondonópolis, por meio de seu corpo clínico, cobrasse os repasses atrasados que são de responsabilidade estadual. Somados, os valores referentes ao período entre novembro e abril deste ano ultrapassam a casa dos R$ 7 milhões. A principal preocupação é com a possibilidade de uma nova paralisação dos profissionais da unidade de Saúde.

A última ocorreu entre fevereiro e março deste ano, a segunda em menos de um ano.  Na última terça-feira, em reunião na Prefeitura, os números oficiais foram apresentados em planilhas ao governador.

Especificados em setor e montante/mês, os registros apontam dívida de R$ 529 mil referentes ao complemento das Unidades de Terapia Intensiva -UTI que deveriam ter sido repassados em novembro de 2016. De fevereiro, outros R$ 1,4 milhões também relacionados às UTIs (adulto e infantil). De março, mais um complemento de R$ 529 mil, outros R$ 1,4 milhões de UTis (adulto e infantil), além de R$ 914 destinados aos serviços de média e alta complexidade, o MAC.UTI Neonatal . Foto - Luan Dourado/Gazeta

De abril, assim como de março, a dívida do Estado é integral. "Problema que já estamos chegando em junho. Trabalhamos aqui com a vontade de sermos parceiros do Estado, mas é preciso ter palha na fogueira para acender a chama das pessoas que lidam aqui. Precisamos melhorar a autoestima dos profissionais, que hoje nos perguntam e não sabemos responder quando irão receber. Entendo a crise do Estado, mas a saúde é coisa crucial", declarou ao GazetaMT o cirurgião dentista Kemper Carlos Pereira, vice-diretor-presidente da Santa Casa.

Segundo o repassado à reportagem pelo vice-diretor-presidente da Santa Casa, Taques se mostrou solícito ante o problema enfrentado, masDoutor Kemper Carlos Pereira, cirurgião dentista destacou dificuldades financeiras. Foi pedido ao governador, então, que solicite à Secretaria Estadual de Saúde a criação de um cronograma de pagamento, uma forma de ao menos amenizar a incerteza quanto ao repasse. Na próxima semana, R$ 1,4 milhões deverão estar na conta da Unidade de Saúde, depositados pelo Estado em pagamento ao mês de fevereiro. "Estamos pedindo também o restante do complemento, pois só metade foi paga", lembra Kemper.

Ainda assim, o dinheiro é pouco. A possibilidade de uma nova paralisação tende a se acentuar.  "Na última paralisação ficou acordado que o corpo clínico atuaria somente com a manutenção regular dos pagamentos. Caso contrário, pararia de novo", diz Kemper.

Outros recursos

Recentemente, a Santa Casa de Rondonópolis, que atende a 19 municípios da região Sul do Estado, recebeu montante de R$ de 3,3 milhões via emenda do senador José Medeiros -PSD, além de outros aportes. O dinheiro foi destinado à compra de equipamentos e melhoria no atendimento ao paciente.  

De volta ao Estado, Taques se comprometeu a recorrer aos deputados estaduais para amenizar o problema da Saúde em todo o Estado. Na última semana, o desabado do diretor do Hospital Regional de Sorriso reforçou o alerta.