Cuiabá

Vereadores denunciam acordo da Prefeitura com empresários do transporte coletivo

No acordo apresentado pela atual gestão de Cuiabá, a prefeitura pretendia pagar a dívida com a MTU com uma entrada de R$ 18,1 milhões.

por GazetaMT

25 de Junho de 2019, 16h57

Vereadores denunciam acordo da Prefeitura com empresários do transporte coletivo
Vereadores denunciam acordo da Prefeitura com empresários do transporte coletivo

Os vereadores Diego Guimarães (Progressistas) e Abilío Junior (PSC) trouxeram à tona na sessão desta terça-feira (25), uma tentativa de acordo entre a Prefeitura de Cuiabá e os empresários do transporte coletivo, no valor de R$ 160 milhões. A negociação não foi homologada pela Justiça, e o vereador Diego apresentou pedido de convocação do procurador-geral do Município, Luiz Antônio Possas de Carvalho, para que ele explique o acordo proposto pela gestão municipal. A solicitação foi aprovada e a Mesa Diretora deve marcar o dia que o secretário irá ao parlamento.

De 2003 a 2016, a prefeitura ficou sem pagar a tarifa pertinente ao transporte estudantil, o que gerou um débito de R$ 64,4 milhões. A Justiça determinou que o prefeito na época, Mauro Mendes (DEM), fizesse o pagamento, mas antes abatesse a dívida das empresas junto ao município, que era de R$ 89,5 milhões. Com o abatimento, as empresas teriam que ressarcir os cofres públicos em R$ 33,2 milhões.  

"A prefeitura tentou assumir uma dívida de R$ 160 milhões de reais em um processo judicial que não tinha sido finalizado com a Associação Mato-grossense dos Transportadores Urbanos (MTU). E pior, a prefeitura tentou realizar o pagamento de 86 milhões aos empresários de ônibus praticamente à vista, preterindo a ordem cronológica dos precatórios", explicou o vereador.

O juiz Jorge Iafelice dos Santos, da Primeira Vara Especializada da Fazenda Pública, porém, não homologou o acordo alegando que a procuradoria do município não poderia realizar a ação sem antes passar pela Câmara de Vereadores. "As partes acostarem aos autos petição, informando a desnecessidade de autorização legislativa para realização de acordos, bem como a competência/atribuição do Procurador Geral do Município para desistir, transigir, firma compromisso e confessar as coes de interesse do Município", diz trecho da decisão. 

No acordo apresentado pela atual gestão de Cuiabá, a prefeitura pretendia pagar a dívida com a MTU com uma entrada de R$ 18,1 milhões, sendo R$ 8 milhões via transferência bancária  ao "credor" e outros R$ 10 milhões seriam abatidos em dívidas que empresas, ex-associadas à MTU, têm com o município. Depois seriam pagas duas parcelas de R$ 4 milhões, sendo que a primeira delas venceria 30 dias após o pagamento da entrada. O saldo remanescente de R$ 60,6 milhões seria dividido em 22 parcelas de R$ 2,7 milhões.

"Fiz recentemente um requerimento pedindo todos os acordos feitos pela prefeitura. Como esse pode existir muitos outros. Até o momento não obtive resposta e por isso a convocação do procurador que precisa explicar, porquê desses acordos. Quantos cuiabanos e cuiabanas esperam o recebimento de precatórios e os empresários do transporte público seriam passados na frente e receberiam um valor exorbitante sem nenhuma justificativa plausível.", ressalta o vereador.