JORNADA NACIONAL

MST ocupa fazenda de Blairo Maggi em Rondonópolis

Cerca de 1 mil famílias permanecem acampadas em propriedade do grupo Amaggi, de posse do ministro

por Robson Morais

25 de Julho de 2017, 08h00

MST ocupa fazenda de Blairo Maggi em Rondonópolis
MST ocupa fazenda de Blairo Maggi em Rondonópolis

Cerca de 1 mil famílias integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra -MST ocuparam na manhã de hoje, 25, a fazenda do atual ministro da Agricultura Blairo Maggi -PP, em Rondonópolis. A ato é parte da chamada Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária proposta em todo o Brasil pelo movimento, no Dia do Trabalhador Rural.

Com o lema "Corruptos, devolvam nossas terras", as famílias acampadas em Mato Grosso seguem nos perímetro do latifúndio de posse do grupo Amaggi, às margens da BR 163. A assessoria de Maggi confirma que a fazenda pertence ao grupo e deve se pronunciar sobre o caso nas próximas horas.

Além das ocupações de fazendas para cobrar sua destinação para a Reforma Agrária, o MST garante que segue em vigília pela democracia até 2 de agosto, quando será julgada pela Câmara Federal a denúncia de corrupção contra o presidente da República Michel Temer.

"Os latifundiários que possuem estas áreas são acusados, no cumprimento de função pública, de atos de corrupção, como lavagem de dinheiro, favorecimento ilícito, estelionato e outros. O MST também se posiciona pelo afastamento imediato de Michel Temer da presidência", destaca oficialmente o movimento. "Blairo exerce a função de ministro para garantir o as condições necessárias para o desenvolvimento das suas fazendas e do agronegócio".

Sustentam os manifestantes, ainda, que o ministro tem apoiado, através da bancada ruralista no Senado, as contrarreformas trabalhistas e previdenciária provocando um retrocesso histórico nas condições de trabalho e previdenciária da classe trabalhadora.

"Estamos mobilizados, para denunciar e lutar contra esse governo Temer que junto a bancada ruralista estão loteando o Brasil para os estradeiros e de montando a reforma agrária, privatizando os lotes e legalizando a grilagem de terra, grilagem é crime e eles querem legalizar o crime", denuncia o membro da coordenação nacional do MST, Alexandre Conceição.

"Estamos lutando pela desapropriação de terras para assentar as mais de 130 mil famílias e nela produzir alimento saudável na agroecologia e gerar empregos no campo", complementa o dirigente.

No Brasil

Além de fazenda de Blairo, movimento ocupa áreas de Coronel Lima (amigo de Temer), em Duartina-SP, e do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira, em Barra Mansa, Sul Fluminense. Há também ocupações no Sul e no Nordeste.

Manifestações acontecem no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão.