CALAMIDADE

Entidades se unem contra “calote” na Santa Casa de Rondonópolis

Hospital filantrópico fechou as portas da UTI na última semana e divulgou nota oficial detalhando o déficit

por Robson Morais

25 de Julho de 2018, 14h44

Entidades se unem contra “calote” na Santa Casa de Rondonópolis
Entidades se unem contra “calote” na Santa Casa de Rondonópolis

Entidades populares de Rondonópolis promoveram ontem, 24, um encontro em defesa da reabertura e retomada dos serviços da Santa Casa de Rondonópolis. O hospital filantrópico fechou, mais uma vez, as portas da UTI pediátrica na última semana. O motivo é velho: falta de dinheiro. Uma passeata está prevista para o próximo dia 28.

Representantes do Rotary, Diocese, Amigos solidários MT, Santa Casa, Grupo de mulheres do Rotary e empresários, entre outro, participaram da reunião. O movimento, frisa a organização, é apartidário. Além da UTI pediátrica, outros serviços podem ser interrompidos na Santa Casa de Rondonópolis se o problema não for solucionado com urgência. A mobilização popular foi uma iniciativa da empresária Iracema Dinardi Peixoto. "Estamos convocando a cidade para estar presente neste manifesto pela reabertura da UTI Pediátrica da Santa Casa. A nossa saúde corre riso e temos que lutar por ela. O risco é para toda população que pode precisar do serviço. Estamos reivindicando a saúde num evento apartidário, que deve ocorrer em várias etapas, pois sabemos que não vai ser fácil o governo atender", disse ela em entrevista ao jornalista Roberto Nunes, do jornal local A Tribuna.

No início da semana, a diretoria da Santa Casa emitiu nota oficial à imprensa, rebatendo o que chamou de "entrevista política" concedida pela atual administração municipal logo após o fechamento da UTI, nas dependências do próprio filantrópico. O documento, datado do último dia 20, a Santa Casa fala, ainda, em "jogo de números expressivos" que visa, "acima de tudo, criar confusões desnecessárias e que dependem de análise criteriosa, para que não se envolva politicamente as administrações. Neste sentido, é de extrema necessidade, sopesar que os custos de hospitais em geral são altos, pois trata do bem mais precioso, qual seja, a vida". A declaração se refere aos números apresentados na última semana pelo prefeito de Rondonópolis José Carlos do Pátio -SD.

Logo após, ainda na nota, o filantrópico listou em detalhe os custos. Cada leito da UTI, por exemplo, custa, segundo a Santa Casa, R$ 1.800,00/ dia. "Sendo que inicialmente havia sido pactuado o valor de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), pois o gestor do SUS preferiu pagar como se todos os leitos estivessem ocupados, (...) e depois de forma desconhecida, injustificada e unilateral (...), fora reduzido para o valor de R$ 1.300,00 (mil e trezentos reais), pagando apenas pelos leitos efetivamente ocupados. Um contrassenso, já que nesta forma de pagamento o valor da diária deveria ser maior, ou seja os R$ 1.800,00, como a Santa Casa precificou no início das negociações", argumenta.

UTI

O fechamento da UTI Pediátrica estava previsto para o dia 15 de julho, mas, em um voto de confiança, o hospital estendeu o prazo para o dia 19 de julho, aguardando o recebimento de repasses atrasados que foram prometidos. Como isso não aconteceu, os leitos SUS estão agora fechados.

A decisão foi tomada após uma reunião realizada no hospital, em que o prefeito de Rondonópolis, negou repasses atrasados à Santa Casa. Sem novas internações desde o início do mês, havia na unidade apenas uma criança em atendimento, que foi transferida para a UTI Neonatal, em um leito adaptado.

R$ 5 milhões

"Somente nas últimas semanas repassamos cerca de R$ 5,5 mi para pagamento dos serviços prestados", disse em recente entrevista o prefeito de Rondonópolis, José Carlos do Pátio -SD. A declaração foi acompanhada da coletiva à imprensa para o anúncio de adiantamento de recurso, na ordem de pouco mais de R$ 800 mil. O recurso, explica o filantrópico, porém, não custeia o que é de responsabilidade do Estado nem arca com as despesas já em atraso.

Outra informação: tal recurso é proveniente de emendas parlamentares da bancada mato-grossense em Brasília. Não necessariamente verba municipal. Os recursos federais e  estaduais são repassados ao município, pelo Fundo Municipal de Saúde. Cabe à gestão municipal fazer com que o dinheiro chegue até o hospital.