OPINIÃO
Caronistas do movimento negro
25 de Julho de 2022, 13h03
Mais recentemente temos visto na nossa capital em especial um movimento carona, de pessoas que num passe de mágica se descobriram negras e negros. O que me preocupa enquanto militante é o silenciamento dos bons, porque penso que há muito desrespeito pelos nossos ancestrais que abriram caminho para cá estarmos. O protagonismo negro não pode ser feito de qualquer forma e sem fundamento, não esqueçam que construímos a história desse país.
A memória é um recurso fundamental para legitimarmos as nossas pautas que são muitas. Notadamente temos visto brancos salvadores que nem caminhada tem no movimento social quanto mais em movimentos negros, em especial aqueles agentes que ocupam cargos públicos e barganham espaço nos eventos de negritude para estar como aliado, quando sabemos que a aliança ali é mero ego!
Precisamos falar mais sobre isso, sobre esses discursos rasos, sobre pessoas que surgem numa piscada de olhos se achando autoridade da temática e usando da melanina para ter visibilidade, usando da melanina alheia, a mesma que tira a vida de milhares de mulheres negras, de jovens negros. E por último, não menos importa, destaco que o dia 25 deve ser um evento protagonizado por mulheres negras.
A ex-senadora Serys Slhessarenko foi a mulher que tornou o dia 25 de julho o dia nacional de Tereza de Benguela. Mulher branca, que respeitou, pesquisou e deu a visibilidade que é das mulheres negras. Serys e sua assessoria conversaram e ouviram mulheres negras que pesquisam a temática como a Dra. Silviane Ramos, Naura Coelho, Professora Mirian Aparecida de França, Carina Brito e outros coletivos que surgem de um protagonismo de mulheres descendentes de Tereza de Benguela. Mas precisamos avançar mais com políticas públicas reais, salienta a ex-senadora e atual pré-candidata a deputada federal Serys!
“E como eu aprendi”, narra Serys. “Eu preciso não ser racista, mas principalmente ser antirracista no discurso e na prática", encerra a conversa essa nossa aliada com lutas gigantes junto ao movimento social e aliada das mulheres negras.
Manoel Silva é jornalista e militante do movimento negro.