PRIMAVERA DO LESTE

Advogado é detido após repassar celular a detento

Aparelho foi entregue ao preso no parlatório e escondido em chinelo

por Driely Pinotti

25 de Agosto de 2017, 14h49

Advogado é detido após repassar celular a detento
Advogado é detido após repassar celular a detento

O advogado Wender Luiz Santos foi detido em flagrante após entregar um celular, quando realizava uma visita a um detento no parlatório da Cadeia Pública de Primavera do Leste. O aparelho e alguns chips foram entregues ao reeducando por debaixo da porta e colocado no chinelo que ele utilizava. O fato aconteceu na última quinta-feira (24), por volta das 11h.

Segundo o diretor da unidade prisional, Valdeir Santos, assim que os agentes penitenciários perceberam a atitude ilícita do advogado, foi dado voz de prisão e colocado o suspeito em uma sala isolada. "Ele negou o fato e ainda tentou fugir da Cadeia, mas temos provas que são as imagens da câmera de segurança, que comprovam e mostram o momento em que ele abaixou para passar o celular ao preso. Além disso, a agente que estava acompanhando a visita dele ao cliente viu a movimentação e a entrega do aparelho celular", afirmou.

Ele ainda explicou que já havia obtido a informação de que celulares estariam entrando na Cadeia Pública por meio de algum advogado. "A partir dessa informação, intensificamos as vigílias, porque esses profissionais, por normativas, não são revistados".

O advogado foi encaminhado à Delegacia de Roubos e Furtos (Derf) para prestar depoimento. Segundo a delegada Anamaria Machado, Wender preferiu ficar em silêncio. Um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) foi instaurado e o suspeito liberado. Ele responderá o processo em liberdade.

Diante dos fatos, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Primavera do Leste, por meio do presidente Edmar Rodrigues, informou que será instaurado um procedimento disciplinar contra Wender Luiz Santos, que terá o prazo de 15 dias para apresentar a defesa, assim que for notificado. Caso ele não consiga provar a inocência à instituição, terá as atividades de defensor suspensas de 30 dias a um ano.

"Isso causou uma indignação com a advocacia primaverense, como se fosse um tiro no peito da OAB e iremos tomar providências. Ele terá que provar que tudo é falaço ou é falso. Se por ventura ele não conseguir excluir, com certeza ele será penalizado", afirmou