Sedentário sedento
26 de Janeiro de 2014, 06h30
O início da academia na segunda-feira já está exaurido, bem como, os regimes e tantos outros artifícios que temos para sair do sedentarismo. A bicicleta está enferrujando, a academia popular e gratuita me chama e está no meu bairro, que o governante dispôs, talvez porque é vistosa, multicolorida e com equipamentos diferentes, mas sem orientação técnica e profissional capacitado para orientação correta do uso. Meus filhos correm no quintal numa proporção infinitamente menor ao que "correm" nos equipamentos virtuais, meus netos já têm endereço eletrônico, e eu ainda com meus cinco anos a menos que Rondonópolis, não consigo sair do meu seio residencial.
Inerte, inapto e sem vontade para o labor da ginástica dispendo o tempo ocioso no teclado do meu home office, que não recomendo aos meus amigos, uma vez que temos muito próximos o trabalho e a cama. Em apenas um pulo saio de um e entro no outo. Talvez seja essa distância que percorro com mais frequência.
Acompanho uma praticante assídua e frequente da natação, da caminhada, dança de salão e ainda toma umas cervejas geladas que ela apelidou de "chazinho", para não instigar aos mais jovens e nem fazer apologia indevida. Vejo-a tomando ônibus para visitar amigos do outro lado da cidade. Acorda cedo para ir à feira, à missa e ajudar na instituição a que pertence, com ações sociais das mais diversas.
Tem dia que até canso de ver o que ela faz, e pego minha rede para descansar um pouco. Ela, agilíssima para seu tempo, com esse calor abrasador - que pode até fritar ovos, no nosso asfalto casca de ovo -, anda por todos os cantos e demonstra uma vontade de viver que contagia. Não sabe ficar parada, mas quando é para jogar uma conversa fora, esquece os compromissos.
Eu só sei que não vou consegui correr ou adiar o tempo, que vem me colocando bem próximo do idoso, se já não o sou. Também noto que na maioria dos casos faltam condições, conduções, segurança, afeições, vontade política e apoio dos demais, para muitos que não conseguem ou não tem meios financeiros ou de acesso para esse fazer natural e antigo nos próprios públicos, agora tomados por tribos muito diferentes daquelas que deveriam ser seus donos de fato.
Dá a impressão que não vamos nos tornar idosos. Que os dirigentes, filhos, jovens e também os pais não passarão por esse processo e, entristeço quando o vento uiva tudo isso e não conseguimos entender a melodia da sua voz. Temos que parar de cuidar do jardim, porque as borboletas não estão querendo mais mostrar suas belezas em visita as nossas flores. Não temos pernas para correr atrás de borboletas, mas podemos fazer um "rolezinho" para que atentem para nós idosos - já me incluindo.
Como fiquei responsável de ir até o aeroporto para apanhar aquela praticante ativa, que está chegando de uma temporada à Curitiba - PR, não vou terminar esse texto, sem antes dizer que ela é minha mãe, frequentadora do projeto Terceira Idade, que tem apenas 75 anos - como ele sempre diz -, e se chama "Nilza Marinho da Silva".
Obrigado.
Hermélio Silva é escritor e ativista cultural