PONTE TORTA
Percival "mete a cara" por conta e risco para rebater boatos
26 de Outubro de 2016, 16h28
Por conta própria, o atual prefeito de Rondonópolis veio a público rebater denúncias sobre má execução na principal obra frente à administração municipal. Circula na internet imagens da nova ponte sobre o Rio Vermelho (Ponte da Lions), mostrando um bizarro e torto monumento. As imagens aéreas foram retiradas de um aplicativo ligado ao guia de buscas Google.
Tudo teria começado, segundo o prefeito, depois de um incidente ocasionado pela chuva logo após a abertura de uma valeta para a passagem da rede de iluminação subterrânea da ponte. Tal fato, como confirmado, comprometeu parte do acostamento e a pavimentação precisou ser reparada. Logo após este fato, notícias sobre a ponte torta começaram a se espalhar em parte dos meios de comunicação.
Em sua página oficial numa rede social, Muniz gravou um vídeo (veja abaixo). Nele, o gestor pontua os tópicos levantados e dá sua versão dos fatos. Acusa o prefeito de "dor de cotovelo" de adversários políticos e se dá ao trabalho, inclusive, de apontar detalhes técnicos quanto à distorção presente na imagem. "As imagens foram registradas de satélite, que trabalha com lente fotográfica convexa para dar melhor ângulo. Por isso, dependendo do ângulo em que se registra a imagem, parece mesmo que a ponte está torta", diz.
Não contente, Muniz pediu que fossem registradas novas fotografias aéreas, desta vez com lentes fotográficas comuns, além de imagens feitas por drone. O resultado foi uma ponte vista de cima, completamente reta em toda a sua extensão. Em resumo: mostrou que não existe ponte torta.

...
Dois importantes detalhes chamam a atenção em toda essa história. O primeiro deles, apontado pelo próprio Percival na gravação, é sobre a contínua briga política mesmo após o período eleitoral. "Já perdemos a eleição, agora nos deixem concluir a obra em paz", chega a pedir o atual prefeito. Clamou, ainda, que a população visite a ponte para conferir de perto a qualidade na execução do projeto.
O segundo ponto, este mais grave na opinião da coluna, é a falta de assessoria junto ao gestor municipal. Como em outros episódios, Muniz teve de vir a público por sua conta e risco após a bomba estourar. Novamente teve que agir sozinho.
Mal assessorado Muniz é, e talvez sempre fora. Por isso, vez ou outra, quebra protocolo e não raro peca justamente pelo excesso na fala. Há quem garanta que este fato, inclusive, o fez passar uma imagem arrogante que lhe tirou votos durante a campanha à reeleição.
Cabia, neste caso em específico, à assessoria divulgar informações esclarecedoras. Textos e fotos que contrapusessem as denúncias, agendamento de entrevista para o assessorado, declarações dos engenheiros e demais responsáveis pela execução da obra. Tudo o que certamente evitaria qualquer alarde. Nada disso, porém, ocorreu. Se esqueceram, os assessores, da importância do projeto para o próprio prefeito.
...
Sorte de Percival é justamente ser Percival. Não costuma depender de boa vontade.