ALVO DE OPERAÇÃO TRAPAÇA
Moretto nega que empresa tenha participado de esquema para fraudar licitações em MT
Ação investiga supostas fraudes em licitações e desvios de recursos públicos.
26 de Fevereiro de 2019, 09h21
Atualizada - 12h - A empresa do deputado estadual Valmir Moretto (PRB) foi um dos alvos da Operação Trapaça, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (26), em diversos municípios do Estado.
A operação tem como objetivo de combater fraudes a licitações e desvio de recursos públicos. 13 mandados de busca e apreensão em órgãos públicos, empresas e residências localizadas nos municípios mato-grossenses de Salto do Céu, Cáceres, Curvelândia e Nova Lacerda, estão sendo cumpridos.
A empresa do parlamentar fica no município de Nova Lacerda e tem como nome fantasia Empreiteira Nossa Senhora do Carmo.
Moretto negou que a empresa VL Moretto LTDA, de sua propriedade tenha participado de qualquer esquema para fraudar licitações de obras públicas em Mato Grosso.
“Nunca participamos de esquema. Tem inúmeras licitações que a empresa ganhou, e tem inúmeras que a empresa não ganhou. Nunca usei nome de terceiros e laranjas. Meus bens são todos declarados e registrados em cartório”, disse o deputado em entrevista coletiva na Assembleia, na manhã desta terça-feira.
Por meio de nota, a assessoria do parlamentar ainda ressaltou que a empresa venceu uma licitação para pavimentação asfáltica em Salto do Céu. E que a Caixa Econômica Federal, financiadora da obra, não encontrou irregularidades no contrato.
Leia abaixo a integra da nota do deputado:
Em resposta sobre a Operação Trapaça, deflagrada nesta terça-feira (26) pela Polícia Federal, o deputado Valmir Moretto (PRB) informa que a empresa VL Moretto LTDA. ganhou licitação para executar pavimentação asfáltica no município de Salto do Céu. Na época, a Caixa Econômica Federal, inclusive, fez a vistoria da obra e concluiu que tudo transitou dentro dos conformes tratados em contratos.
Todas as informações requeridas pela Polícia Federal e Controladoria Geral da União (CGU) foram repassadas, tão logo foram solicitadas, no intuito de que eventuais indícios de irregularidades sejam investigados.
Ressaltamos que a VL Moretto, que tem o nome fantasia Empreiteira Nossa Senhora do Carmo, não foi notificada oficialmente sobre o andamento da investigação, e reforça que a empresa continua pronta para auxiliar a todos os órgãos de controle caso seja acionada, uma vez que a atual gestão, por prezar pela transparência como diretriz, também é interessada no esclarecimento dos fatos.
Por último, o deputado Valmir Moretto afirma que a operação não desabona seu mandato, que foi conquistado através do voto em outubro de 2018 com 21 mil 261 votos. Moretto ainda confirma que está afastado da direção da empresa desde que iniciou seu mandado de prefeito, em 2009, no município de Nova Lacerda, cidade em que geriu até 2016 e se desligou de fato da empresa em 2018.
A operação
A operação, que iniciou a partir de encaminhamento de documentos da Controladoria Geral da União (CGU), visa angariar mais provas relacionadas aos crimes de fraude a licitações e desvio de recursos públicos praticados por suposta organização criminosa atuante no município de Salto do Céu e outros da região.
Uma das supostas fraudes constatadas durante as investigações foi a identificação de uma empresa fantasma criada em nome de "laranja" para participar, em conluio com outras empresas de pequeno porte, de processos licitatórios realizados pela prefeitura de Salto do Céu. As empresas investigadas concorriam entre si para dar aparência de legalidade, viabilizando as fraudes.
Em poucos meses de atuação a empresa de fachada já ganhou mais de R$ 2 milhões em contratos de licitações possivelmente fraudadas, enquanto foi identificado que o seu sócio principal possuía um salário de apenas R$ 1,2 mil como tratorista.
Durante as investigações também foi identificado que uma empresa pertencente a familiar de funcionário público ganhou várias licitações, possivelmente com favorecimento pessoal ou em razão de informação privilegiada.