PANDEMIA
Secretário acusa MPE de gerar pânico e não crê em ascensão do coronavírus em MT
Gilberto Figueiredo criticou ação conjunta para derrubar decreto do governador Mauro Mendes
26 de Março de 2020, 19h19
O secretário de Estado de Saúde Gilberto Figueiredo criticou o pedido apresentado pelo Ministério Público Estadual (MPE) em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público do Trabalho (MPT) que requer a suspensão do decreto assinado pelo governador Mauro Mendes (DEM) que autorizou a abertura de Shoppings Centers e outros setores do comércio neste período de pandemia do coronavírus.
No pedido, os membros dos Ministérios Públicos apresentaram estudos e justificativas técnicas que apontam para o risco de ocorrência de mais de oito mil mortes no Estado caso não sejam adotadas medidas estritas de isolamento e combate ao novo coronavírus. “Não vamos nos pautar por diversos fakes e projeções que são divulgadas a todo momento”, disse. A declaração foi dada durante live (transmissão ao vivo) transmitida nas redes sociais do governo do Estado para responder a questionamentos dos veículos de comunicação de Mato Grosso.
Figueiredo ainda criticou duramente a proposta alegando que neste momento de crise generalizada da saúde pública, aparecem muitos "especialistas" com dados que não condizem com a realidade. “Tem muita informação, muito cientista que começou ontem a fazer estudo, muitas previsões estratosféricas como se iríamos ter aqui [em Mato Grosso] um número de óbitos maior que a própria Itália”, emendou o secretário. O secretário de saúde ainda argumentou ações como a patrocinada pelo Ministério Público em nada contribui com a sociedade neste momento.
"Só gera pânico a sociedade", disse. “O número de óbitos será muito inferior a isso. Mais ou menos metade da população será infectada, porque é da natureza do vírus. Mas vai ter casos leves e até por isso não precisamos paralisia total [das atividades]”, disse.
A projeção utilizada pelo Ministério Público para citar o risco de 80 mil mortes em Mato Grosso foi elaborada por uma ferramenta chamada Impacto Potencial da Covid-19 na Mortalidade Humana (PICHM, em inglês) para estimar o número de mortes esperadas por Covid-19, com base em taxas de infecção e letalidade de casos.
Na projeção do PICHM, caso Mato Grosso siga o ritmo de infecção e mortes da China - superada por países como a Itália e Espanha - Mato Grosso chegaria às 8 mil mortes.