Embate
Sem consenso em reunião tumultuada, PMDB decide liberar vereadores nas eleições indiretas
Manoel da Silva Neto poderá lançar candidatura, mas os outros vereadores do PMDB não serão obrigados a votar nele
26 de Maio de 2012, 23h22
Os vereadores do PMDB estão livres para decidirem os próprios votos na eleição indireta para a escolha dos novos prefeito e vice-prefeito de Rondonópolis, marcadas para o próximo dia 13 de junho. A decisão foi anunciada pelo presidente regional do partido, o deputado federal Carlos Bezerra, após uma longa reunião realizada na noite deste sábado (26).
A reunião durou quase três horas e o resultado demonstra a dificuldade do partido em superar os duros embates entre os grupos que defendem a candidatura própria nas eleições indiretas e os que apoiam uma coalizão entre o PR e PMDB para manter Ananias Filho (PR) no comando da Prefeitura.
O primeiro grupo, liderado pelo vereador Manoel da Silva Neto e por Maria Paulina da Costa Bordegatto, presidente do diretório municipal, acredita que o partido deve aproveitar o apoio oferecido pelo vereador Mohamed Zaher (PSD) para retomar a Prefeitura. Eles avaliam que o PMDB corre o risco de ficar enfraquecido se não concluir o mandato iniciado por José Carlos Pátio; cenário que, segundo eles, também deixaria o PR de Ananias Filho mais forte para vencer as eleições de outubro.
"É melhor perder agora e ganhar depois, do que perder agora e perder também depois. Acho péssima a possibilidade do partido não ter candidato nestas eleições indiretas", disparou a presidente do diretório municipal.
Sem consenso
Os defensores da candidatura própria não pouparam críticas aos vereadores Adonias Fernandes, Lourisvaldo Manoel de Oliveira e Milton Gomes da Costa , que já declararam a intenção de votar em Ananias Filho nas eleições indiretas. Alguns chegaram a acusar os vereadores de traição, gerando reações contundentes dos parlamentares.
"É preciso respeitar a minha história dentro do partido. Traidores são aqueles que a pouco menos de um ano atrás estavam pedindo votos para o PSDB contra os candidatos do PMDB ao governo e à Câmara Federal", disse Adonias Fernandes.
A crítica de Adonias foi endereçada ao grupo de peemedebistas que, seguindo a orientação do prefeito cassado José Carlos do Pátio, apoiou a candidatura de Wilson Santos e Rogério Salles nas eleições estaduais de 2010. O grupo, que reúne também empreiteiros e parentes do ex-prefeito, tem insuflado parte da militância a frustrar o acordo que vem sendo costurado entre as cúpulas do PMDB e do PR.
O vereador Lourisvaldo Manoel de Oliveira, o Fulô, também reagiu indignado às críticas dos defensores da candidatura própria. Ele lembrou que, além de garantir a governabilidade do município, a aproximação entre PR e PMDB manteve praticamente todos os cargos que o partido tinha na administração municipal.
Fulô reafirmou a intenção de apoiar Ananias, mas ressaltou que esse acordo vale apenas para a eleição do dia 13 de junho.
"O momento agora é de apoiar o Ananias, com um vice do PMDB. Isso não tem nada a ver com as eleições de outubro, que vão ser discutidas na hora certa. Precisamos ter responsabilidade com a cidade", disse Fulô.
Diante da falta de consenso o vereador Manoel da Silva Neto chegou a sugerir a realização de uma nova reunião para continuar a discussão. Porém, o deputado federal Carlos Bezerra, preferiu encerrar a conversa liberando os vereadores. Manoel da Silva Neto poderá lançar-se caso consiga viabilizar a candidatura, mas os demais vereadores estão livres para votar em Ananias se quiserem.
"Acho essa discussão infrutífera e desnecessária. Estamos falando de um mandato de poucos meses e precisamos levar em consideração que a qualquer momento o prefeito José Carlos do Pátio pode conseguir uma liminar e voltar. Talvez isso ocorra até antes das eleições indiretas. Por isso o partido vai deixar os vereadores livres para fazerem suas escolhas com total autonomia", disse Bezerra, também ressaltando que esta orientação vale apenas para as eleições indiretas.