ROSANA LEITE

Dia da costureira

por ROSANA LEITE

26 de Maio de 2020, 10h35

Rosana Leite   Imagem: Reprodução
Rosana Leite Imagem: Reprodução

A costura é, sem dúvida, uma das profissões mais antigas da história. Estima-se que surgiu há mais de 30 (trinta) mil anos. No início era dominada por homens. Todavia, foi através das mulheres que ficou mais conhecida.

A costura é um trabalho artesanal e artístico. As mulheres muito se adaptaram ao labor. Muitas vezes, pela facilidade em se ter uma máquina de costura em casa, podendo desenvolver os trabalhos domésticos, e, após, se dedicar à alfaiataria. A profissão foi e é grande dedicação do gênero feminino. Com linhas, agulhas e tesouras, elas fazem história. Lá nos primórdios, nem de máquinas precisavam. Agulhas eram feitas de marfim.

Emendar e remendar tecidos envolve carinho, dedicação e respeito pelas peças e por pessoas. A arte trouxe a independência financeira para inúmeras mulheres. Não raro, é possível encontrar algumas a apontar a máquina de costura e dizer que aquele objeto foi responsável pela “criação” de muitos filhos e filhas.

O setor da moda nunca saiu de moda! Sempre existe algo a se descobrir e redescobrir. Mãos habilidosas fazem as vezes. Algumas se especializam apenas em customizar, transformando conceitos. Elas são criativas, são artistas!

O mercado de trabalho para as autônomas ou industriais, existe em grande escala. Na atualidade há muita reclamação quanto à falta de mão de obra qualificada, ou melhor, de costureiras “raiz”.

Segundo a Associação Brasileira de Vestuário, a Abravest, com o trabalho das costureiras são movimentados em média 4,5 bilhões por ano. A grande preocupação, como em outras profissões, é quanto à poluição causada com a costura industrial, ao lançar quantidade de produtos químicos perigosos nos rios e lagos. Contudo, a artesanal, ou seja, aquela praticada de maneira autônoma, só trouxe benefícios para aqueles e aquelas que dela se valeram.

Dona Maria, conta trecho da sua trajetória: “Comecei a costurar muito jovem, observando a mamãe, que fazia as roupas para usarmos. Por brincadeira, as bonecas de pano ganhavam trajes em minhas mãos. Com o casamento, fui surpreendida por um companheiro que fazia uso demasiado de álcool, e vivia nos bares da cidade.

Tivemos dois meninos e uma menina. Ele nos deixou e foi viver com outra mulher, assim que o nosso caçula nasceu. Fiquei com uma escadinha. Tive força para os manter em casa com a minha companheira de todas as horas: a máquina de costura. Conseguimos e vencemos! O meu filho mais velho é médico, a do meio é juíza de direito, e o mais novo seguiu os meus passos.”

Apesar de simbólicas, as datas comemorativas existem para homenagear quem faz por merecer. O corte e costura, técnica exercida pelas costureiras, é responsável por muitas alegrias com os seus resultados.

Mulheres se valeram do labor, e conseguiram grandes feitos. Sempre são atuais! Em época de coronavírus, “salvaram” vidas de outras com a confecção de máscaras. Os portões solidários ganharam vez no Brasil, quando muitas costureiras fazem máscaras e deixam penduradas para doação àqueles e àquelas que não possuem condições de adquirir.

A querida dona Marlene Silva, moradora do Jardim Imperial, na Avenida das Torres, em Cuiabá, faz e doa por dia vinte máscaras. O Dia da Costureira é comemorado todos os dias 25 de maio. Em nome da dona Marlene, cumprimento essas incansáveis profissionais.

Elas constroem e costuram saberes!

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.