Crime zero: A conta não se resume a números
26 de Junho de 2012, 16h59
Após, exatamente, um mês no comando do 5º Batalhão de Polícia Militar, o comando do tenente coronel Walter Silveira em Rondonópolis está envolto em números: 31 dias de comando; uma política permanente de policiamento chamada "crime zero"; pouco mais de 150 ocorrências de crimes contra o patrimônio - entre roubos e furtos - mais de 20 armas de fogo apreendidas, mais de 10 motocicletas irregulares apreendidas, mais de 200 pessoas encaminhadas até alguma delegacia para prestar algum tipo de esclarecimento às autoridades.
Com - o que o tenente coronel define como - uma população, muito intolerante à incidência de crimes, Rondonópolis apresenta, após a instalação da postura "crime zero" - que, segundo o próprio comandante, não tem o ingênuo objetivo de "zerar" o registro de ocorrências - uma queda considerável na média de crimes registrados.
Há um mês, quando Walter Siveira assumia o 5º batalhão, os números médios de ocorrências de crimes contra o patrimônio estava em, entre, oito e nove por dia. Em dias de pico chegava-se a 20. Hoje, a média gira na casa das quatro ocorrências dessa espécie, com os picos chegando na casa dos dez registros dia.
"A verdade é que a população da cidade é muito pouco tolerante à incidência de crimes e em uma cidade com seus 200 mil habitantes, haver uma comoção tão grande com um dia agitado de 20 crimes contra o patrimônio em um dia, demonstra essa intolerância. Em uma conta simplista, Cuiabá com 600 mil tinha dias em que 200 ocorrências deste tipo eram registradas".
No entanto - exatamente por causa de possíveis distorções provenientes de "contas simplistas" que - o comandante da PM tem se atentado mais aos fatores humanos do seu trabalho realizado frente ao batalhão, do que exatamente aos números.
Consciente dos fatores relativizadores - "típicas das relações sociais" - e com um trabalho de presença ostensiva e aproximação junto aos segmentos sociais, a PM vem procurando usar essa intolerância rondonopolitana contra o crime para fomentar uma cultura de participação popular para conter as circunstâncias que propiciam a atividade criminosa.
"A incidência da criminalidade é, em linhas gerais, circunstancial. Envolve sazonalidades, relações humanas e outros fatores. Não podemos cair no equívoco de nos atermos apenas aos números porque dessa forma não teremos consciência da análise necessária. Nosso trabalho é conter a incidência das atividades criminosas; é manter a presença ostensiva para desenvolver a intolerância e a participação popular no objetivo primeiro de minar o vetor medo, o vetor crime e o vetor desordem, para que o cidadão possa se sentir plenamente seguro para usufruir o seu direito constitucional de ocupar o espaço público" ressaltou o comandante.
Com a problematização diária, da segurança pública, envolvendo tantos fatores, o comando da PM em Rondonópolis parece realmente investir nas análises menos "exatas" das questões "humanas" para realizar seu trabalho de balancear essa conta.