O papa e o frio
26 de Julho de 2013, 15h27
Duas coisas que estão mais presente nas mídias são; a vinda do papa e o frio.
Aqui em Rondonópolis o frio não é tanto como no sul, o que lá sim podemos dizer que é realmente frio... tanto que houve o incidente de uma pessoa morrer devido a falta de calor...
Talvez as pessoas devem estar se perguntando o que tem a ver o papa com o frio. Quero dizer que não sou contra a vinda do papa aqui, muito pelo contrário, pois é sempre bom recebermos visitas de pessoas mensageiras como ele, independentemente de credo religioso-institucional...
Percebe-se facilmente que o povo está sedento disso, de alguém que profere palavras esperançosas, que transmite pensamentos positivos, acreditando na possibilidade de um futuro melhor, onde jovens e idosos podem ser respeitados e valorizados com dignidade. Isso tudo é muito bom e salutar1
No entanto, entra a minha crítica, onde muitas pessoas ficam ansiosas na frente da TV na expectativa de ouvir as palavras do papa, só que enquanto estamos dentro de casa assistindo, acabamos esquecendo que há milhares de pessoas que estão na rua sem agasalho...
O pior ainda - além de passar frio - é ter fome. Nada pior do que sentir essas duas sensações... A noite é gélida e irmãos estão em situações desumanas e nós estamos acalorado na escuta das palavras do papa.
Muitos fieis saíram de longe para ir ao encontro dele, o que a mim vejo uma falha, não que não possamos ver o papa; o que acho incoerente é sairmos e deixar o próximo em estado desfavorável.
No sábado passado estava em São Paulo e vim para Cuiabá, o movimento no aeroporto era grande, jovens com camisetas e bandeiras, muitos num contentamento muito grande... mas a mim, isso ainda é pouco, vi muito agitação e pouco acolhimento com o menos favorecido...
Claro que seria péssima recepção o papa vir aqui e não ter ninguém presente em suas saudações. Mas creio que houve muitos gastos com viagens e alimentações e pouco ato solidário com o próximo.
Toda essa animação, vejo como uma forma de transferir aquilo que cabe a cada um de nós, para o papa, ou seja, o papa tem que ser misericordioso, bondoso, mostrar o valor da simplicidade e pobreza. Mas será que isso não é uma forma de fugirmos daquilo que compete a nós seres humanos de ajudarmos o próximo?
Por fim, a vinda do papa e o frio, serve para vermos que devemos escutar as palavras dele, e as por em prática, pois "fé sem obra é morta". O frio é um momento impar para reavaliarmos nossos conceitos humano-cristológico, perante o semelhante que passa necessidade!
Alecio Borges dos Santos.
Graduado em Filosofia.
Pós graduado em Sociologia.
E cursando o 3° semestre em História