PEDRA NO SAPATO
Para disputar em 2018, Fagundes terá que se livrar, de vez, da Lava Jato
26 de Julho de 2017, 09h42
Na caminhada rumo à disputa eleitoral em 2018, o senador da República Wellington Fagundes -PR precisa se livrar em definitivo da Operação Lava Jato. O republicano responde por acusações criminais no Supremo Tribunal Federal -STF e figura como o maior recebedor de dinheiro da JBS no Estado.
Conforme o levantamento, o inquérito é de 2006 (data em que se iniciou o trâmite). O parlamentar é investigado pelo crime de corrupção ativa, passiva, peculato e lavagem ou ocultação de bens. A última tramitação do inquérito foi em 11 de março de 2015. De acordo com a assessoria de imprensa do Supremo, o processo foi enviado à Procuradoria Geral da República -PGR para novas apurações e ainda não retornou à Corte. As investigações contra o líder do PR no Senado correm em segredo de Justiça. "(...) o senador Wellington Fagundes, líder do Partido da República no Senado, aguarda a decisão pelo arquivamento do citado procedimento apuratório, visto que não se confirmou - como já era esperado desde o início - qualquer envolvimento de sua parte na questão investigada. Como integrante da Frente Parlamentar pelo Aperfeiçoamento do Judiciário, lamenta que situações como essa - em que não há absolutamente qualquer suposta prática criminosa - perdurem tanto tempo para um desfecho, causando prejuízos à imagem parlamentar", disse à Congresso em Foco, em nota, a assessoria do republicano.
Outro caso
No início de junho, Fagundes foi citado pelo executivo Ricardo Mesquita em depoimento prestado à Polícia Federal. Segundo a delação, o senador foi envolvido na prorrogação de concessão de exploração de áreas no Porto de Santos. O interlocutor entre o empresário e o presidente Michel Temer foi o deputado Rodrigo da Rocha Loures, o homem da mala de propina da JBS.
Em suas tentativas para conseguir a prorrogação da concessão, já com Temer na Presidência, Mesquita teria ficado sabendo que a ampliação dos prazos para contratos anteriores a 1993 estava tendo dificuldades na Casa Civil e acionou Rocha Loures "pretendendo que ele, juntamente com outros interlocutores do setor portuário, como o senador Wellington [Fagundes], agisse para resolver o problema".
Em nota à imprensa, enviada pela assessoria de Fagundes no início do mês, o republicano rebate a delação. "O senador Wellington Fagundes, em esclarecimento a notícia publicada a partir de depoimento do conselheiro Ricardo Mesquita que apuram o relacionamento do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures com o presidente Michel Temer, se manifesta da seguinte forma:
1. É presidente da Frente Parlamentar de Logística de Transportes e Armazenagem (Frenlog), movimento formado por 170 deputados federais e 22 senadores, com atuação ativa no âmbito do Congresso Nacional.
2. A Frente Parlamentar, diante disso, foi convidada a integrar o Grupo de Trabalho criado para construir o novo Decreto que regulamentou a Lei dos Portos. Esse GT foi composto pelo Ministério dos Transportes, Secretaria de Portos, Advocacia Geral da União (AGU), Secretária de Assuntos Jurídicos da Presidência da República, Agência Reguladora e entidades representativas do setor, entre as quais a Associação Brasileira dos Terminais Portuários, Associação Brasileira dos Terminais Privados e Federação Nacional dos Operadores Portuários, que congrega os trabalhadores do segmento;
3. Foram 38 reuniões com debates abertos ao público, transmitido via internet, de forma transparente, na qual o corpo técnico de todas as representações participantes do Grupo de Trabalho apresentou diversas sugestões para a desburocratização das normas portuárias e aumento da segurança jurídica como forma de atrair investimentos ao setor - premissa que norteia todo o trabalho parlamentar do senador, notadamente, no setor logístico;
4. A menção ao seu nome está, portanto, vinculada, exclusivamente, à sua reconhecida atuação parlamentar. Com seis mandatos como deputado federal e agora como senador da República, no qual é membro titular da Comissão de Infraestrutura, sempre foi voltado ao desenvolvimento da logística, com destacada participação na defesa dos grandes empreendimentos nos modais de transporte, que beneficiam o Brasil e, sobretudo, Mato Grosso; e,
5. Por fim, aproveita a oportunidade, para reafirmar seu compromisso com o segmento logístico, por entender ser Mato Grosso, com seus mais de 900 mil Km², estado que necessita de investimentos notáveis na sua infraestrutura para superar as grandes distâncias e ser o indutor do desenvolvimento econômico e social".