sob investigação
Prefeita de Pedra Preta diz não temer cassação e aponta avanços na sua administração
Mariledi Araujo Coelho Philippi se defende das acusações e diz que a cidade tem sido bem administrada e aponta avanços
26 de Setembro de 2013, 15h18
A prefeita do município vizinho de Pedra Preta, Mariledi Araujo Coelho Philippi (PDT), é alvo de uma inédita Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e pode até ter o mandato cassado por conta de denúncias de sonegar informações aos vereadores e pelo uso de uma patrol da prefeitura para limpar uma área particular. Ela se defende das acusações e diz que apesar da investigação, a cidade tem sido bem administrada e aponta avanços.
"Não há uma crise do Executivo com o Legislativo e não vejo problema nenhum em ser investigada. Isso é da democracia e é legítimo ter oposição na Câmara, já que a coligação que me apoiou elegeu apenas um vereador. Mas o que acontece no caso é que há um grupinho que, mesmo o juiz tendo apitado o fim do jogo, se recusa a aceitar o resultado e têm trabalhado para atrapalhar a administração. Eles precisam entender que já não há mais como mudar o resultado e torcer para a administração dar certo, pois todos nós moramos no município", desabafou.
De acordo com ela, das quatro denúncias de que é alvo, três afirmam que o Executivo teria se recusado a prestar esclarecimentos sobre licitações e despesas feitas pela administração, fato refutado pela prefeita. "Nós temos enviado todos os meses o balancete da movimentação financeira da prefeitura, como preconiza a lei. O que eles queriam era a presença de secretários na Câmara para explicar pontos, como a destinação de verbas advindas do SUS (Sistema Único de Saúde), o que até pelo volume de trabalho que essas pessoas têm não foi possível atendê-los na hora. Mas não houve nenhuma informação da prefeitura que não tivesse sido inserida no balancete", se defendeu Mariledi.
A outra denúncia apontada na CPI diz respeito ao uso de uma máquina da prefeitura para executar um serviço de terraplanagem em uma área particular na entrada da cidade. "Essa máquina realmente trabalhou em um terreno particular, mas foi para preparar o terreno para servir como garagem para o estacionamento de carretas e caminhões, que são proibidos por lei de pernoitarem dentro da cidade. A viabilização desse estacionamento foi a pedido do Ministério Público e a máquina foi usada para preservar o interesse público e eu autorizei isso para resolver um problema instaurado na cidade. Não usei a máquina para ajudar parente ou algum eleitor", disse.
Administração
Sobre os seus quase nove meses completos frente à prefeitura, Mariledi diz ter enfrentado uma série de dificuldades iniciais, com atraso na folha de pagamento do mês de dezembro de 2012, além de muitos funcionários sem receber férias e 13º salário. "Nós tivemos que usar quase toda a arrecadação de janeiro para cobrir isso, mas desde março nós implantamos um planejamento que permite que os funcionários recebam seus salários ainda dentro do mês em vigência e os pagamentos não devem voltar a sofrer atrasos novamente", informou.
Para comprovar que a administração tem se movimentado, ela enumera uma série de ações, como a reforma e reabertura do ginásio da cidade, que estava interditado pela Justiça, uma grande operação de tapa-buracos no asfalto e manutenção na iluminação pública da cidade, que segundo a mesma, estava em estado calamitoso, além do asfaltamento do bairro Jardim Natureza e a recuperação da ciclovia e pista de caminhada da cidade.
"Nós também resgatamos a maior festa popular da cidade e da região, a Mica Preta, adquirimos ônibus escolares, uma van para transportar pacientes de hemodiálise e uma ambulância semi-UTI. Nós já trabalhamos para asfaltar outros bairros e logo teremos muito mais novidades para beneficiar a população da cidade. Em breve vamos cobrir a quadra esportiva da praça Copa 70, instalando ali arquibancadas e banheiros. Também vamos construir em breve duas escolas na zona rural. E tudo com recursos próprios", apontou Mariledi.
"Eu fui eleita pelo anseio popular por mudanças e já percebi que quanto menos recurso você dispõe, mais você tem que lançar mão de planejamento e governar com transparência, ouvindo a população, e moralizando a administração pública. Eu nunca vi em nenhum lugar do mundo um prefeito ou prefeita ser afastada do cargo por não ter enviado representantes para explicar o que já está no balancete mensal. Mas, caso eu seja realmente cassada, o que eu e a população não acreditamos que vá acontecer, eu volto para casa para cuidar dos meus netos e da empresa da minha família. Eu retomaria a minha vida com o orgulho de não ter aberto mão dos meus princípios e ter governado como prometi para a população em campanha eleitoral", finalizou.
As denúncias de que a prefeita é alvo foram elaboradas por um cidadão de nome Itieli Aparecido de Lima, que, segundo informações repassadas pela própria prefeita, consta na lista de ex-cabos eleitorais de um vereador da cidade e haveria inclusive a suspeita de que essa pessoa não seja morador da cidade.
O município de Pedra Preta possui uma população de pouco mais de 15 mil habitantes e está localizado há cerca de 25 quilômetros de Rondonópolis. A sua arrecadação mensal é de cerca de R$ 2,5 milhões.