RELATÓRIO FINAL
Deputados da CPI da Copa “passam o pano” para esconder escândalo de amigos políticos
27 de Outubro de 2016, 10h05
Notícia veiculada pela imprensa da capital do Estado caiu feito bomba no meio político Mato-grossense. Os deputados estaduais que compõem a CPI da Copa, e entregaram seu relatório final apontando desvio de R$ 541 milhões de obras, poderiam ter ampliado esse valor caso não optassem por proteger a empresa que pertence a um dirigente do partido do presidente desta mesma CPI.
Isso mesmo: os deputados que deveriam investigar a fundo, descobriu-se, na verdade "passaram o pano" para aliados. O partido em questão é o PSB. Oscar Bezerra, que é membro do PSB, não indiciou a empresa Engeglobal, de propriedade do empresário e membro do PSB Robério Garcia, que por sua vez é pai do deputado federal Fabio Garcia, também membro da mesma sigla.
Vamos além. No relatório final entregue pela Comissão, o valor acima citado (R$541mi) chegou a ser pedido. Dividido, o montante equivale a desvios de R$ 110 milhões referentes a Arena Pantanal, mais R$ 115 milhões referentes a mobilidade e quase R$ 316 milhões com o Veículo Leve sobre Trilhos, o VLT. Além disso, foi reivindicada a retomada urgente das obras.
Estranhamente, porém, desviaram os parlamentares o foco da empresa responsável por nada menos que todos os COT's, incluindo da UFMT, a reforma do Aeroporto e a Avenida 8 de Abril. Nenhuma destas obras foi entregue até hoje e, mesmo assim, não consta no relatório da CPI da Copa o pedido de devolução do dinheiro ou apuração quanto à responsabilidade pelo desserviço. As obras são da Engeglobal e custaram aos cofres públicos aproximadamente R$ 300 milhões.
No ranking de prejuízo, a Engeglobal perde apenas para o VLT. O relatório final desapontou ao deixar de lado as empresas aliadas do Palácio.
No documento, pede-se, sem novidade, o indiciamento de 96 agentes públicos, dirigentes de 16 empresas, de sete consórcios, e ainda do ex-governador Silval Barbosa, do ex-presidente da ALMT, José Geraldo Riva, dos ex-secretários da Secopa, Eder Moraes e Mauríco Guimarães, e dos ex-diretores da Agecopa, Yênes Magalhães, Yuri Bastos e Carlos Brito de Lima.
As obras investigadas pela CPI já custaram R$ 1,9 bilhão, sendo que R$ 300 milhões são da Engeglobal. Segundo a conclusão dos trabalhos, houve "jogo de planilhas" com o intuito de fraudar licitações e, assim, desviar dinheiro público. Os deputados se calam quando se trata da empresa do pai do deputado Fábio Garcia, que pertence ao mesmo partido do presidente da CPI.
Diante disso, cabe obviamente ao Ministério Público detectar aí que esse jogo de planilha que beneficiou todas as empresa, segundo aponta a CPI, inclusive a Engeglobal, que estava entre as mal intencionadas em não fazer realmente as coisas acontecerem, mas ter um benefício próprio em relação a algum retorno, segundo disse o deputado Oscar Bezerra (PSB).
O relatório vai ser votado pelos deputados em plenário. Se aprovado, será entregue a órgãos como o Ministério Público do Estado e a Polícia Civil para possíveis investigações. A previsão é que a votação seja feita até novembro, segundo o presidente da ALMT, deputado estadual Guilherme Maluf