Nada mudou
Deputados aprovam redução de mordomia e STF derruba liminar sobre vetos presidenciais
Um deputado de Minas Gerais disse que só votou a favor da redução de ajuda de custo por que tinha "medo da imprensa"
27 de Fevereiro de 2013, 20h09
Não houve surpresa nas duas votações mais importantes realizadas nesta quarta-feira (27) em Brasília. Enquanto o STF liberou o Congresso Nacional para analisar como quiser os vetos presidenciais, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, a extinção parcial da chamada 'ajuda de custo' conhecida como décimo quarto e décimo quinto salários dos deputados e senadores.
A 'ajuda de custo', equivalente aos salários de cerca de 27 mil reais, era paga no início e no final de cada ano. Com o projeto aprovado agora,
, como uma ajuda de custo destinada a compensar despesas com mudança e transporte. De autoria da senadora e hoje ministra-chefe da Casa Civil Gleisi Hoffman (PT-PR), o projeto já foi aprovado pelo Senado e, com a votação na Câmara, será promulgado pelas mesas diretoras das duas Casas.
Ao discursar no plenário, o deputado federal Newton Cardoso (PMDB-MG) disse que estava votando o projeto com medo da imprensa. Segundo ele é uma deslealdade com os deputados que precisam dessa ajuda, mesmo assim ele votou pelo fim do benefício.
STF libera vetos
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a liminar que obrigava o Congresso Nacional a analisar 3 mil vetos presidenciais em ordem cronológica teve um placar mais apertado.
segundo conveniência política, inclusive os relativos à nova Lei dos Royalties do petróleo.
Os ministros analisaram apenas a liminar concedida por Luiz Fux no fim do ano passado e não concluíram a discussão sobre a legalidade do acúmulo de vetos. Segundo a Constituição, os vetos presidenciais devem ser apreciados em 30 dias, sob risco de trancamento de pauta, o que nunca foi seguido. O plenário optou por manter o processo em andamento e decidir sobre essa questão mais tarde.
A maioria reconheceu a gravidade do descumprimento das regras da Constituição e defendeu a correção do erro no futuro. Os ministros entenderam, no entanto, que uma intervenção do Supremo causaria mal maior, ao criar insegurança jurídica e atrapalhar o trabalho futuro do Legislativo. Vários ministros também citaram o princípio de separação entre os Poderes e criticaram o uso de mandado de segurança para tratar de uma questão constitucional mais ampla.
Após o voto de Fux, Teori Zavascki abriu a divergência alegando que uma interpretação rígida da Constituição levaria o Congresso a um "futuro caótico" e "estenderia o manto de insegurança jurídica de todas as deliberações nos últimos 13 anos". A emenda à Constituição com regras sobre os vetos foi aprovada em 2001.
Para Rosa Weber, a liminar estava "quase impedindo o Congresso de legislar". Dias Toffoli entendeu que a Constituição não impõe uma ordem cronológica de votação e que o Congresso tem liberdade para priorizar determinadas questões políticas, assim como faz o Supremo. Gilmar Mendes defendeu que esse tipo de assunto seja levado a plenário o quanto antes, enquanto Ricardo Lewandowski elogiou a "coragem" de Fux ao decidir a questão sozinho, em dezembro do ano passado.
Seguiram Fux os ministros Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e o presidente do STF, Joaquim Barbosa. Eles criticaram a "hipertrofia do Executivo" e alegaram que nada justifica o descumprimento da Constituição. Segundo Marco Aurélio, o sistema atual permite um "massacre da minoria pela maioria" no Congresso Nacional, sem respeito pelo processo legal.
Durante o julgamento, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, pediu a palavra cobrando uma resposta mais clara do Supremo sobre a solução que será dada aos 3 mil vetos pendentes. Os ministros disseram que isso deve ser analisado mais tarde, no julgamento do mérito. Também não se pronunciaram claramente sobre a legalidade de tudo que já foi e deve ser votado, como o Orçamento de 2013.