ARARATH

Dodge vê desespero de Maggi em transferir julgamento de ação

A defesa quer que o processo siga para a Justiça Estadual; para a PGR, a ação deve permanecer na Federal.

por De Rondonópolis - Robson Morais

27 de Março de 2019, 15h44

Dodge vê desespero de Maggi em transferir julgamento de ação
Dodge vê desespero de Maggi em transferir julgamento de ação

A procuradora-geral da República Raquel Dodge afirmou que o ex-governador e ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi -PP age com "desespero" ao tentar desconstruir as investigações relativas à Operação Ararath, na qual foi denunciado.

A afirmação da procuradora-geral consta nas contrarrazões aos embargos de declaração protocolados pela defesa de Maggi e do conselheiro afastado Sérgio Ricardo, contra o acórdão do Supremo Tribunal Federal que determinou a remessa dos autos para a Justiça Federal de Mato Grosso.

A defesa quer que o processo siga para a Justiça Estadual. O caso foi noticiado pelo site GazetaMT há uma semana. (leia aqui). Para a PGR, a ação deve permanecer na Federal.

 "O desespero de Blairo Borges Maggi de tentar desconstruir as investigações é evidenciado pelo absoluto contrassenso existente entre os pedidos por ele formulados nos feitos relacionados à denominada Operação Ararath", escreveu a procuradora-geral, relatando um outro pedido de Maggi, que solicita o envio de autos de um inquérito para a Justiça Eleitoral, já que os fatos investigados na operação, segundo ele, reportam a um esquema para pagamento de dívidas de campanha.

A ação é referente à denúncia do Ministério Público Federal contra Maggi e Sérgio Ricardo em razão da suspeita de prática de crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro no contexto da "Operação Ararath", relacionados à suposta negociação de vagas de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, entre os anos de 2009 e 2012.

Entenda

O ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi -PR pediu ao Supremo Tribunal Federal -STF a mudança de instância no julgamento da ação Malebolge, referente à Operação Ararath. A providência foi tomada pela defesa do mato-grossense após a decisão da Corte que definiu a competência da Justiça Eleitoral para investigar crimes comuns que tenham conexão com crimes eleitorais.

Blairo foi um dos alvos da Operação Malebolge, que é a 12ª fase da Operação Ararath, deflagrada em setembro de 2017. Ele é suspeito de corrupção, lavagem de dinheiro, obstrução de investigação e organização criminosa em supostos esquemas que teriam ocorrido no Estado em sua gestão como governador e também na gestão do sucessor Silval Barbosa.

Para defesa, os quadros narrados em consonância com os contados por Silval em delação enquadram o caso de Blairo no entendimento recente do STF, "havendo conexão entre crimes eleitorais e crimes comuns a Justiça Eleitoral é a competente".

O pedido de Maggi é assinado pelo advogado Fábio Galindo e foi encaminhado para o ministro do STF Luiz Fux. O mesmo ministro, em 2018, classificou como "monstruosa" a delação premiada de Silval.