Apelou, perdeu!
Bloqueio de caminhoneiros perde força e começa apelação violenta
27 de Abril de 2015, 11h00
O movimento de bloqueio das rodovias mantido por caminhoneiros e empresários do setor do transporte, iniciado pela segunda vez no último dia 23, tem perdido força e conta com cada vez menos apoio popular e da própria categoria, o que tem levado alguns mais exaltados a depredarem os veículos e humilharem os trabalhadores que decidem não aderir ao movimento e ficar parados às margens das rodovias.
Caso típico aconteceu na cidade de Nova Mutum no último sábado, 25, quando um caminhoneiro que não quis ficar retido no bloqueio promovido por seus 'colegas' teve seu veículo de trabalho depredado pelos mesmos e só não foi agredido fisicamente devido à intervenção da Polícia Rodoviária Federal.
Fatos semelhantes já haviam acontecido anteriormente, durante a outra paralisação de caminhoneiros, ocorrida em fevereiro deste ano, quando um motorista que mora em Rondonópolis rompeu com o bloqueio e foi seguido por um grupo de caminhoneiros, que o cercaram na avenida Presidente Médici e teve seu veículo parcialmente depredado e foi agredido fisicamente, tendo inclusive tido uma fratura em um dos braços.
O 'modus operandi' dos caminhoneiros tem deixado a PRF preocupada, pois considera que a forma como os mesmos têm conseguido a adesão dos seus colegas é ilegal, pois não são poucos os relatos de caminhoneiros que vem sendo obrigados a ficar no bloqueio contra a sua vontade, o que fere frontalmente o preceito constitucional do direito de ir e vir.
Anteriormente, os caminhoneiros tinham uma extensa pauta de reivindicações, que foram em sua maioria atendidas pelo Governo Federal, como a isenção de pedágio para os eixos suspensos de veículos que circularem vazios e o perdão de multas dos últimos dois anos.
Mas ainda assim, os caminhoneiros ainda exigem do Governo o tabelamento do preço do frete, algo claramente inconstitucional e sem aplicabilidade. Oras, se o Governo estabelecer por lei um preço para o frete, quem descumprir com esse tabelamento, cobrando mais ou menos que o descrito, teria que ser preso ou multado? E onde fica a liberdade de negociação entre as partes?
O Buxixo compreende e considera que os caminhoneiros tem direito de protestar contra o que consideram injusto, no caso o preço do frete pago principalmente pelas grandes tradings das commodities, como a soja, mas o que eles cobram não tem como ser resolvido da forma como propõem, pois não se pode regular o mercado dessa forma, impondo preços e punições para quem não cumprir com eles.
Também consideramos, lógico, um absurdo o fato de não se respeitar o direito dos que preferem continuar transportando e ganhando honestamente o seu pão, depredando e humilhando os que não pensam igual.
Esperamos que o bom senso prevaleça...