RODA VIVA
Projeto transforma bicicletas apreendias em cadeira de rodas em Água Boa
Primeiro exemplar construído foi doado para escola do município
27 de Maio de 2017, 12h00
Bicicletas apreendidas pela polícia estão se transformando em cadeira de rodas, em um projeto que surgiu dentro da própria delegacia, em Água Boa, a 736 km de Cuiabá. A primeira cadeira, que foi fabricada com as peças de uma bicicleta desmontada, foi doada na última terça-feira (23) para a Escola Nova Esperança, da instituição filantrópica Associação Pestalozzi, que atende pessoas com deficiência.
Além de ajudar quem não tem condições de comprar uma cadeira de rodas, o projeto ajuda a solucionar o acúmulo de bicicletas no pátio da delegacia, segundo os policiais Aurélio Mendanha da Silva e Dionelsio Reis, idealizados do projeto.
"Sempre recebemos muitos pedidos de doação de equipamentos como esse na delegacia, mas infelizmente não podemos doar. Essa foi a forma que conseguimos pensar para ajudar essas pessoas", contou.
O projeto Roda Viva, como foi batizado, surgiu em fevereiro. Os primeiros protótipos foram feitos no mês seguinte, mas, de acordo com Aurélio, não atingiram a qualidade necessária.
"Produzimos três protótipos até chegar a esse resultado final, que reaproveita todas as peças da bicicleta. Esse projeto pode ser repetido por todas as delegacias do estado. O problema de superlotação não é exclusivo de Água Boa", explicou.
Os investigadores pensam em utilizar a mão de obra de detentos da penitenciária do município para produzir as próximas cadeiras.
"Não conseguiremos sozinhos, pois é uma atividade que poderemos fazer apenas nas horas livres. Também precisamos de apoio financeiro de serralherias, funilaria, pintura e tapeçaria", pontuou.
De acordo com o investigador, vai começar a fase burocrática do projeto para que as bicicletas, que são apreendidas ou recuperadas em ação da polícia e não são reclamadas pelos donos, possam, de fato, serem utilizadas na montagem de novas cadeiras.
"Precisamos fazer o levantamento das bicicletas e atestar se realmente não serão mais retiradas pelos donos", contou.