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Vereador Marcelo Marques quer recuar sobre questões de gênero nas escolas

por GazetaMT

27 de Julho de 2016, 17h31

Vereador Marcelo Marques quer recuar sobre questões de gênero nas escolas
Vereador Marcelo Marques quer recuar sobre questões de gênero nas escolas

De autoria do vereador tucano Marcelo Marques (PSDB), um Projeto de Lei promete causar rebuliço. A intenção do nobre é vedar toda e qualquer divulgação e distribuição de material didático que contenha orientações sobre a diversidade sexual nos planos de educação municipal e nos estabelecimentos da rede pública e privada de ensino em Rondonópolis. Antes da opinião desta coluna, vamos aos pormenores do que intenta.

Segundo explicado por Marques, a ideia do projeto surgiu quando por ele passou o Pano Municipal de Educação a ser aplicado nas escolas do ensino infantil ao fundamental, composto por crianças de 0 a 11 anos. Defendido pelo tucano, uma criança desta idade não possui "maturidade psicológica" para compreender a chamada "ideologia de gênero".

Segue o vereador pontuando que após constatar a tal "ideologia" no cronograma do Plano, foi estudar do que se tratava o termo. Eis o que apredendeu: "É o chamado gênero neutro, a forma como a pessoa se apresenta à sociedade. Uma pessoa adulta sabe o que quer para a sua vida, mas uma criança não. Falar disso nas escolas é demais, então resolvemos implantar o projeto porque a criança não tem como lidar com esta situação".

E completa: "Este papel deve ser o da família e não da escola" ...

Questionado sobre a importância do tema num momento em que se luta pela igualdade e pelo fim da discriminação e tratamento da sexualidade como doença que afeta principalmente as crianças em seu convívio escolar, Marques diz não concordar. "A criança tem que preservar sua inocência", resume.

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Na opinião da coluna, falta um bocado de estudo ao vereador. Ser contrário ou não à chamada "ideologia de gênero" exige argumentos que embasem em certa profundidade. O que Marques brada é a mera reprodução de um discurso raso e conservador. Tal pronunciamento ecoa como fundamentalmente prejudicial à construção de um debate que se preste ao melhoramento de uma política pública primordial: a Educação.

Infelizmente, não há nesta coluna espaço "físico" que comporte longos fundamentos sobre as questões de diversidade e IDENTIDADE de gênero. Estudiosos das mais diversas áreas humanas publicam e republicam teses e argumentações essenciais para a compreensão deste termo recente em questões de mídia. A internet, hoje, disponibiliza vasto material.

Corrigindo, porém, parte dos deslizes de Marques, esta coluna se presta a pontuar argumentos. A começar pela "maturidade psicológica que não existe numa criança", é importante lembrar do cenário escolar discriminatório presente dentro e fora das salas de aula. Discutir gênero ou ao menos pincelar o que é conceito de diversidade para uma criança que já sofre agressão verbal e física dos colegas devido justamente à maneira como se apresenta seria mole, além de importante. O mesmo se pode dizer da preparação dos educadores que, ao contrário do que sugere o vereador, não precisariam deixar de diferenciar no tratamento meninos e meninas por conta do tal "gênero neutro", apenas reconhecer e respeitar a particularidade da criança. Ela, sim, precisa disso.

Ser papel da família discutir tais temas, como também frisa o vereador, implica que o Estado não possui responsabilidade. Ledo engano, se levado em conta que é na escola que a criança passa boa parte do tempo e é ali que absorve aprendizados e fundamentos que a levarão para a vida adulta. O ideal, obviamente, é a união de forças entre família e escola na formação ampla e verdadeira de cada indivíduo.

Por último, por vezes Marques se deixa confundir "discutir gênero" com "discutir sexo". Talvez este seja o principal ponto de recusa por grande parte da população que hoje rejeita uma nova realidade de mundo.

Recentemente, em outro texto desta coluna, trouxemos à tona a tentativa do deputado federal Victorio Galli (PSC) e sua bancada evangélica em Brasília de criminalizar a utilização de banheiros públicos de acordo com a identidade e não com o sexo biológico. Vale relembrar este caso para o comparativo que vem a seguir.

Na contramão do cristão, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama encabeçou a chamada "batalha dos banheiros", convocando as instituições de ensino do país a permitirem que os alunos decidam que banheiro querem usar, de acordo com sua identidade de gênero. Em uma carta dirigida aos distritos educativos e universidades, os departamentos de Justiça e Educação dão diretrizes detalhadas com o objetivo de garantir um acesso sem discriminação aos estudantes transexuais aos banheiros. "Nenhum estudante deveria se sentir rechaçado em uma escola ou em um campus universitário", argumentou o secretário de Educação norte-americano John King sore o assunto.

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Mais ou menos como encerramos a coluna deste exemplo, vamos encerrar esta atual sobre o vereador Marcelo Marques. "Terceiro mundo com cabeça e política de terceiro mundo".