FERRONORTE

MST ocupa trilhos de ferrovia da ALL em Rondonópolis

Nota oficial ataca expansão do agronegócio e R$40 bilhões em isenção de impostos

por Robson Morais

27 de Julho de 2017, 08h20

MST ocupa trilhos de ferrovia da ALL em Rondonópolis
MST ocupa trilhos de ferrovia da ALL em Rondonópolis

Trabalhadores sem-terra que ocupavam a fazenda SM02, de propriedade do ministro da Agricultura Blairo Maggi-, se deslocaram para os trilhos da ferrovia Ferronorte, em Rondonópolis, na manhã de hoje, 27.  A ferrovia pertence à América Latina Logística -ALL e está localizada ao lado da fazenda, próxima à BR-163.

Em nota oficial, o MST critica a postura do atual governador Pedro Taques-PSDB ante a expansão da ferrovia chegando a Lucas do Rio Verde passando por Cuiabá. "(Taques) afirma ser este um sonho antigo dos Mato-grossenses, desde a década de 1970, mas apenas se esquece que era um sonho voltado para a melhoria da qualidade do transporte das pessoas e não para cortar o Estado com ferrovias para gerar mais riquezas apenas ao agronegócio", diz o comunicado.

A nota também é direcionada ao ministro Maggi. "O ministro Blairo Maggi ao apresentar a perspectiva da licitação da ferrogrão (estimado em 10 bilhões de reais) representa o interesse das principais empresas que fazem negócio com a comercialização de grãos, incluindo a própria Amaggi, além de Cargil, ADM e Bunge e outras", segue. "A ferronorte, e a ferrogrão integram uma demanda de 04 ferrovias que ampliarão o escoamento da soja produzida em Mato Grosso, o que não significará aumento da arrecadação do Estado, pois o setor que será contemplado com esse investimento é o mesmo setor que nos últimos 17 anos recebeu quase 40 bilhões de reais em isenções. Além de que a justificativa do aumento de trabalho não se viabiliza, já que segundo a Cosan em 12000 (doze mil) quilômetros de ferrovia a mesma gera apenas 12000 (doze mil) empregos".

SM02

Há dois dias, cerca de mil famílias ocuparam a fazenda SM02, de propriedade do grupo Amaggi, que pertence ao ministro. O dia 25 é lembrado pelo Dia Nacional do Trabalhador Rural e inicia a chama Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária desencadeada pelo movimento.

A reportagem do GazetaMT esteve na fazenda no dia 25. A ocupação pode se estender até o próximo dia 2 de agosto, data da votação no Congresso que aprovará ou não a denúncia contra o presidente da República Michel Temer -PMDB por corrupção passiva.