“ESTRATÉGIA DA ESQUERDA”
Medeiros quer PF e PGR investigando renúncia a mandato de Jean Wyllys
Parlamentar do Podemos fala até em venda de mandato. Deputado do PSOL entregou à polícia ameaças e se refugiou na Espanha
28 de Janeiro de 2019, 10h57
O senador José Medeiros (Pode/MT), que em poucos dias assumirá o posto de deputado federal, acionou oficialmente, nesta sexta-feira (25), o Ministério Público Federal - MPF, na pessoa da Procuradora Geral da República - PGR, Raquel Dodge, e a Polícia Federal, para ressaltar a necessidade de maior apuração sobre todos os fatos que levaram à renúncia do deputado federal, Jean Wyllys (Psol), anunciada nesta semana. Medeiros levanta a possibilidade até de venda de mandato.
No documento, Medeiros requere a informação se, de fato, houve ameaças de morte confirmadas a Jean, além de questionamento sobre os pseudoameaçadores e se já existe alguma linha de investigação sobre a origem destas mensagens. O senador ainda quer saber se há registros de ocorrências em órgãos de segurança pública nacional e estadual, realizados pelo deputado carioca, e que resultaram em algum início de trabalho de inteligência. O parlamentar ainda busca o detalhamento da relação pessoal de Jean e seu suplente, David Miranda (PSOL), que assumirá o cargo eletivo.
O parlamentar do Podemos considera que, dentre outros indícios, a "visível intenção da esquerda brasileira de usar e até maximizar a saída de Jean para criar um cenário de perseguição aos seus membros para evidenciar uma realidade inverídica sobre o Brasil, somando-se a informações que necessitam de maior atenção sobre o suplente de Jean". Por fim, Medeiros questiona MPF e PF se há alguma apuração para confirmar se o incidente não se trataria de uma possível de venda de mandato.
"Imagino que o próprio deputado (Jean) tenha interesse que tudo fique esclarecido. Para isso solicitei nos ofícios que seja feito uma apuração para sabermos se houve algum tipo de transferência de recursos financeiros da parte de David ou de Glen Greenwald, com quem é casado, ou mesmo de qualquer pessoa ligada a eles em benefício do senhor Jean Wyllys. Diante da maneira que este assunto vem sendo abordado, creio que não seria impertinente estes cuidados", finalizou.
Ameaças
A Polícia Federal (PF) já havia informado que abriu em Brasília cinco inquéritos entre 2017 e 2018, para investigar as ameaças ao parlamentar reeleito no Rio de Janeiro, que encaminhou para cópia de e-mails que recebeu com ameaças à vida dele e de familiares.
"Vou te matar com explosivos", "já pensou em ver seus familiares estuprados e sem cabeça?", "vou quebrar seu pescoço", "aquelas câmeras de segurança que você colocou não fazem diferença". Nos últimos dois anos, o deputado Jean Wyllys viveu uma rotina semanal de ameaças de morte.
Disparadas pelas redes sociais, no e-mail e telefone do gabinete em Brasília, ou no e-mail pessoal do próprio deputado, os textos levaram a Polícia Federal a abrir cinco investigações sobre as ameaças e obrigaram o deputado a andar com escolta policial desde março do ano passado. Ele era acompanhado o tempo todo por três agentes e transportado com o suporte de dois carros blindados.
Desde o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol), em março, Wyllys pouco saía de casa e limitava sua vida a compromissos de trabalho. O endereço onde mora, no Rio, era tratado como um segredo e compartilhado apenas com poucos amigos e familiares mais próximos. Segundo assessores, a campanha para se reeleger em 2018 foi feita basicamente via redes sociais, sem agendas de Wyllys na rua.