Ainda a guerra civil
28 de Novembro de 2012, 16h10
Sobre o artigo anterior, "Guerra Civil", publicado neste espaço no último domingo, recebi importantes contribuições dos leitores. Talvez a principal entre todas tenha sido a necessidade de compreender esse estado de coisas absolutamente invertido das relações sociais, que resultou nessa violência crescente no país.
Como somos um país quase sem memória é justo recordar. Em 1971 com o surgimento do "milagre econômico brasileiro", um crescimento grande do país, financiado com petrodólares emprestados da Europa e dos EUA, o Brasil teve um "boom" artificial de desenvolvimento. Com isso as mulheres foram para o mercado de trabalho ao mesmo tempo em que satisfaziam as necessidades de compras de produtos domésticos como fogão a gás, liquidificador, geladeira, colchão de molas, panelas de alumínio, televisão, som, etc . Era o início do modo urbano de viver do Brasil.
Os filhos ficaram na escola e em casa. A escola pública ainda era boa, e a vida menos violenta. A escola piorou ao limite atual, as ruas ficaram violentas e a TV assumiu o papel de educar os filhos que antes era das mães, consorciado com a escola. Agora sem mães e sem escola, aquela geração hoje é avó e os seus descendentes aprenderam pouco sobre valores, sobre princípios e até mesmo a arte de viver como cidadãos. A geração que assalta, trafica e usa drogas, na faixa dos 15 a 30 anos, descende de ninguém. Não conhecem os valores mínimos da vida em sociedade, não conhecem o valor da vida, do trabalho e da convivência. Mais recentemente, a escola fundamental e média vem ensinando os jovens a ter medo do trabalho e a considerá-lo uma imposição do capital. Não tem burrice maior!
Com esse ensinamento, roubar passou a ser uma forma de obter bens de consumo em vez de trabalhar, porque o trabalho é explorador. Bem coisa da esquerda dos dinossauros sindicalistas e políticos. Depois disso, vem o paternalismo das leis e a certeza da impunidade tirou da sociedade as garantias mínimas para os transgressores. Cadeia é quase impossível neste país. E assim, sem pais para educar, filhos sem pais se orientam pela miopia ideológica das escolas e pela vertente do imediatismo, traduzido por consumo, pelo prazer e pela des-necessidade de trabalhar. Geração perdida!
Numa visão muito pessimista, leia-se o caos. Por caos, entenda-se a falta de uma ordem. Não há ordem e não há limites. As estatísticas da criminalidade em Mato Grosso revelam que 90 por cento dos infratores tem menos de 30 anos e o ensino fundamental incompleto. Fugiram da escola, ninguém ligou pra eles, mas os recursos da educação aumentaram muito. Mas educar é uma coisa complicada. Melhor então encher as escolas de sindicalistas e alimentar um discurso de que a educação é necessária, mas precisaria de sempre mais e mais recursos para continuar realimentando o mesmo discurso indefinidamente. Enquanto isso, jovens sem rumo e sem educação, fumam crack, traficam, assaltam e matam sem saber o que estão fazendo. O modelo tradicional de família mudou e os cuidados com os filhos também. Ambos não educam!
Onofre Ribeiro - Jornalista em Mato Grosso