Velho tempo novo
Envolvimento de irmãos de ministro de Dilma em grilagem contradiz história do PT
28 de Novembro de 2014, 08h05
Latifundiários ricos se unindo a políticos e servidores públicos corruptos para aterrorizar e roubar posseiros e pequenos produtores. O cenário não é novo em Mato Grosso. Ao contrário, nosso Estado cresceu vendo esse tipo de prática ocorrendo largamente e com o apoio do Governo Central - principalmente no período da Ditadura Militar, que via aí uma forma de impedir o avanço dos 'comunistas' no meio rural.
Mas a o 'Operação Terra Prometida', deflagrada nesta quinta-feira (27) pela Polícia Federal, mostrou que não temos mais o 'argumento ideológico'. Os bandidos que integram este conluio criminoso atuam agora motivados pelo mesmo desejo que move traficantes, pistoleiros e ladrões comuns: a busca do lucro rápido e fácil.
Outra novidade é que hoje tudo ocorre com a complacência de um Governo dirigido por um partido que até pouco tempo se dizia de esquerda e defensor dos 'pobres e oprimidos'. O PT não apenas permitiu a continuidade e o fortalecimento dos criminosos no campo, como também nomeou alguém próximo a eles para conduzir o Ministério da Agricultura - coisa que nem os militares tiveram a coragem de fazer.
Dois irmãos do ministro Neri Geller (PMDB) foram apontados pela PF como integrantes do esquema. Os dois continuam foragidos e há inclusive a suspeita de que tenham recebido informações prévias da ação da PF antes de fugirem.
Enquanto isso a presidente Dilma Rousseff segue fingindo não ver nada. Até o momento ela não deu sinais de que pretenda apear Geller do ministério. Ele segue firme no cargo e, em declarações feitas à imprensa, questionou a competência das investigações feitas Polícia Federal indicando o envolvimento dos 'manos' com grilagem.
É, o Brasil mudou. E não dá para dizer que foi para melhor...
Ps.: Os irmãos Odair e Milton Geller se entregaram na noite de quinta-feira (27) à Polícia Federal. No dia seguinte a imprensa revelou que o nome do ministro Neri Geller foi citado no processo como chefe de um dos grupos que ameaçava assentados e se apropriou indevidamente das áreas. Desde então o ministro mantém-se em silêncio.