SAUDADES DA MAROLINHA

Na crise que pegou em cheio os Estados, Pedro Taques "rebola" para manter equilíbrio das contas

por GazetaMT

28 de Novembro de 2016, 08h41

Na crise que pegou em cheio os Estados, Pedro Taques "rebola" para manter equilíbrio das contas
Na crise que pegou em cheio os Estados, Pedro Taques "rebola" para manter equilíbrio das contas

Bons tempos em que crise no Brasil era só uma "marolinha". Ao menos publicamente, a quebradeira das finanças não se mostrava tão assustadora quanto neste 2016. Nos tempos de agora, Estados há pouco ricos estão na berlinda e outros seguem, como se diz, se virando nos 30. É o caso de Mato Grosso.

Por aqui quem rebola é governador Pedro Taques, buscando soluções que mantenham as contas num descontrole minimizado. Diferente, por exemplo, do que vive Estados como o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, com atraso ou suspensão temporária de pagamentos e demais dívidas. O carioca, inclusive, já exigiu que a União honrasse com uma dívida de R$ 1,16 bi adquirida em bancos públicos no seu lugar, e é só o início. Para não ficar no prejuízo, é de praxe que a União bloqueie dinheiro de contas indicadas pelo próprio Estado, geralmente aquelas que recebem o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e a arrecadação do ICMS.

Ainda neste Raio-x, os 26 estados da Federação e o Distrito Federal somam um rombo fiscal de R$ 56 bilhões nas contas do primeiro semestre deste ano. Sobre Mato Grosso, o governador Pedro Taques (PSDB) afirma que o Estado tem capacidade para realizar novas operações de crédito, contraindo empréstimos com instituições financeiras, quase como fizera o Rio de Janeiro. A dívida atual beira a casa dos R$7 bilhões, com quitação programada para este e para o próximo ano.

Diferente do Rio, porém, está em recurso em caixa para honrar a dívida. "Nós temos capacidade de operação de crédito e espaço orçamentário. A nossa questão é o volume de pagamento nos anos de 2016 e 2017. A maior parte da dívida de Mato Grosso, que é de R$ 7 bilhões, deve ser paga nos anos de 2016 e 2017. Até parece que armaram pra mim, né?", comenta o governador.

Mato Grosso e outros 13 Estado atualmente podem recorrer a empréstimos segundo o último boletim divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional, são considerados Estados com "boa situação fiscal". A dívida é feita com juros mais baixos em bancos nacionais e instituições multilaterais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial (Bird), por exemplo.

Como gestor, Taques avalia atualmente o risco de contrair nova dívida e por isso cobra os repasses obrigatórios e compensações financeiras pela isenção nas exportações, o chamado Auxílio Financeiro às Exportações (FEX) a reboque dos demais governadores de Estado. Mais recentemente, também estão na mira dos governadores os valores arrecadados pelo governo federal com a repatriação de recursos e bens no exterior que não foram declarados à Receita Federal, além das multas geradas.

Seja como for, Taques é prudente e tão por isso Mato Grosso ainda consegue equilibrar as contas. O Estado é rico mas a folha é alta. A missão é árdua e exige expertise. Capacidade de conduzir o barco quando a "marolinha" vira onda grande.