Obra parada

Prefeitura e Ensercom negam informações da Caixa sobre Parque Escondidinho; Câmara quer acareação

Informações prestadas anteriormente pela CEF foram contestadas ontem em reunião na Câmara Municipal; município pode perder o recurso

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28 de Fevereiro de 2014, 08h34

Prefeitura e Ensercom negam informações da Caixa sobre Parque Escondidinho; Câmara quer acareação
Prefeitura e Ensercom negam informações da Caixa sobre Parque Escondidinho; Câmara quer acareação

Declarações dos representantes da Prefeitura e da Empresa frustraram expectativasTerminou sem solução a reunião promovida ontem (27) pela Câmara Municipal para discutir a retomada das obras do Parque Ecológico Escondidinho, paralisadas desde 2012. Os representantes da Prefeitura e também da empresa Ensercom Engenharia, vencedora da licitação, voltaram a contestar as informações da Caixa Econômica Federal (CEF). Segundo eles, os recursos para a obra não foram liberados ainda e a retomada depende da reprogramação do projeto solicitada à própria CEF. O convênio, orçado inicialmente em R$ 3,85 milhões, vence em julho deste ano e o município pode perder o recurso caso a obra não seja concluída.

As informações prestadas pelo secretário municipal de Infrestrutura, Melquíades Neto, e pelo engenheiro da Ensercom, Estevão Espósito, frustraram os participantes da reunião que foi coordenada pelo presidente da Câmara Ibrahim Zaher (PSD), e contou também com a participação de outros vereadores, do secretário chefe de Gabinete, Eduardo Duarte,  e representantes do movimento comunitário e da ONG Escondidinho - criada para acompanhar a obra.

Na semana passada Ibrahim e os vereadores Fulô (PMDB), Adonias Fernandes (PMDB), Cláudio da Farmácia (PMDB), e Dico (PROS) estiveram na superintendência da CEF em Cuiabá para discutir o assunto. Eles foram informados que o dinheiro para a realização da obra estaria liberado e que os pagamentos só foram interrompidos devido à paralisação da obra. Conforme a Caixa a última medição feita e paga ocorreu em 2011 e, depois disso, não houve novos relatos de andamento no convênio.

"O recurso foi empenhado, mas não está liberado como foi anunciado. A obra foi paralisada devido a várias pendências no projeto. Fizemos os levantamentos e encaminhamos um pedido de reprogramação no dia 27 de janeiro deste ano. Estamos agora dependendo da resposta da Caixa sobre esta reprogramação para retomar o serviço", afirmou o secretário Melquíades Neto.

O engenheiro Estevão Espósito também negou que a paralisação tenha sido provocada por falhas da Ensercom. Conforme ele, há muitas divergências entre a planilha e o projeto original da obra e sem a reprogramação da Caixa não é possível dar continuidade ao trabalho. Esta informação também diverge do que foi dito pelos representantes da CEF, que sustentam que a empresa poderia estar realizando outros serviços enquanto a reprogramação é analisada.

"Se fizermos o cercamento, paisagismo ou qualquer outra construção lá poderemos ter que refazer o serviço posteriormente, já que, entre as pendências que precisam ser resolvidas, estão a implantação das tubulações de esgoto e a instalação elétrica. Preferimos aguardar estas definições para não ter que fazer o mesmo serviço duas vezes, o que encareceria muito a obra", destacou Espósito.

Acareação
Diante das informações contraditórias, os vereadores decidiram programa uma nova reunião com a superintendência da Caixa, desta vez também com a participação representantes da Prefeitura e da Ensercom Engenharia. A ideia é fazer uma espécie de 'acareação', para confrontar as diferentes versões apresentadas e tentar encontrar uma solução rápida para o problema.

Vereadores vão agendar nova reunião com Superintendência da CEF em Mato Grosso"Alguém tem que ter culpa nessa história, pois se todos tivessem agido corretamente é certo que já estaríamos quase inaugurando a obra agora. No entanto ela praticamente não saiu da estaca zero e precisamos identificar os responsáveis por isso", disse o vereador Cláudio da Farmácia.

Já o vereador Fulô criticou a disparidade entre as informações prestadas pelas autoridades e também pela empresa que realiza a obra. "A CEF alega que está tudo ok e que depende apenas das medições para fazer o pagamento. Chegamos aqui e ouvimos uma história completamente diferente. Tem algo errado aí", afirmou

O presidente da Câmara também demostrou irritação com a situação. Ibrahim Zaher avalia que só o confronto direto entre as partes poderá elucidar as causas para a paralisação da obra. Ele disse que manterá contatos ainda nesta semana com a superintendência da Caixa para agendar a realização de uma nova reunião com a participação de todos os envolvidos. A expectativa é que o encontro aconteça após o carnaval.

"A Câmara Municipal tem sido cobrada pela população e quer resolver isso o mais rápido possível. O problema é que estamos vendo um jogo de empurra, em que cada um acusa o outro de responsabilidade. Vamos esclarecer isso e exigir a imediata retomada da obra", garantiu.

A obra

A implantação do Parque Ecológico Escondidinho é uma luta antiga dos moradores da região, que envolve bairros como o Parque Universitário, Pedra 90, Rui Barbosa e outros. Ela foi lançada ainda em 2009, com recursos federais alocados através de emenda parlamentar. A ordem de serviço saiu no ano seguinte, mas a obra só foi iniciada em 2011 e acabou sendo paralisada em 2012.

O convênio no valor de R$ 3,85 milhões teve uma contrapartida de R$ 190 mil já paga pela Prefeitura. Segundo informações prestadas pela CEF, o saldo atual passa dos quatro milhões de reais - graças a correção monetária e juros.

Além de viabilizar um importante espaço de lazer para a população, a obra também é considerada importante para viabilizar um outro convênio, no valor de R$ 2 milhões, para a pavimentação de vias públicas.