RETRAÇÃO
Apesar da boa movimentação no comércio, empresários de Cuiabá seguem pessimistas com a economia brasileira
No campo das expectativas, o índice geral segue em zona de otimismo, com 112,7 pontos, embora em desaceleração
28 de Fevereiro de 2026, 11h51
Mesmo com índices que apontam melhora na intenção de consumo das famílias em Cuiabá, a confiança dos empresários do comércio continua em queda na capital. A pesquisa que avalia a Confiança do Empresário do Comércio (Icec) aponta a terceira retração consecutiva do indicador.
Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram recuo de 1,3% em fevereiro, na comparação com o mês anterior, fazendo o índice atingir 95,7 pontos. No comparativo com novembro do ano passado, quando somava 104,9 pontos, a retração já chega a 8,8%.
Com o resultado, o Icec permanece abaixo dos 100 pontos – linha que separa o otimismo do pessimismo. O indicador mede a percepção dos empresários em relação às condições atuais da economia, do setor e das próprias empresas, além das expectativas e da intenção de investir no curto e médio prazo.
Na comparação anual, a queda é de 5,5%, consolidando um início de ano marcado por maior cautela do empresariado. O recuo mensal foi influenciado, principalmente, pela redução no Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (-2,1%) e no Índice de Investimento (-2,8%). Em contrapartida, o subíndice de Condições Atuais avançou 2,3% no mês, sinalizando leve melhora na percepção conjuntural imediata.
O presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, ressaltou que o cenário nacional tem impacto direto sobre o comportamento dos empresários locais.
“Em termos econômicos, o que vemos é um ambiente de incerteza macro com superação microeconômica. A confiança interna impede uma retração mais intensa, enquanto o cenário macro limita decisões mais ousadas de investimento”, disse.
De acordo com o Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio (IPF-MT), o componente que avalia as Condições Atuais da Economia Brasileira segue como principal vetor de pessimismo. Para 51,1% dos empresários ouvidos, a situação piorou muito. No âmbito setorial, 43,9% também consideram que as condições do comércio apresentaram forte deterioração.
Por outro lado, o índice que mede as Condições Atuais da Empresa permanece acima da linha de neutralidade, com 109,5 pontos, indicando que parte relevante dos empresários percebe desempenho interno mais resiliente do que o ambiente macroeconômico.
No campo das expectativas, o índice geral segue em zona de otimismo, com 112,7 pontos, embora em desaceleração. O destaque fica para a Expectativa das Empresas, que alcança 126,4 pontos. Em relação ao emprego, 64,3% dos empresários afirmam que pretendem ampliar o quadro de funcionários ao menos um pouco, sustentando um Indicador de Contratação de 116,9 pontos.
Segundo Wenceslau Júnior, esse comportamento revela um setor que mantém a operação ativa, mas com postura conservadora em relação a novos aportes.
“O Indicador de Contratação ainda elevado sugere expectativa de crescimento operacional, possivelmente associada a ajustes sazonais ou recomposição de quadros. No entanto, o nível de investimento abaixo de 100 pontos demonstra que o empresário está priorizando liquidez e gestão de risco, em vez de expansão estrutural”, afirmou.
Em síntese, a análise do IPF-MT aponta um empresariado dividido: enquanto a dinâmica interna das empresas mostra resiliência, a percepção sobre a economia brasileira permanece frágil, limitando decisões mais robustas de expansão ao longo dos próximos meses.