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MP pede prisão de 13 executivos suspeitos de ligação com cartel dos trens em SP

por GazetaMT

28 de Março de 2014, 07h55

MP pede prisão de 13 executivos suspeitos de ligação com cartel dos trens em SP
MP pede prisão de 13 executivos suspeitos de ligação com cartel dos trens em SP

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu que a Justiça decrete a prisão preventiva de 13 executivos estrangeiros suspeitos de participar de um cartel que teria fraudado licitações de compra, manutenção e reforma de trens no estado durante governos tucanos, conforme informou o Jornal Nacional na edição de quinta-feira, 27.

Dos treze executivos, 11 são da Siemens, um da Bombardier e um da Hyundai-Rotem. Se a Justiça aceitar o pedido de prisão preventiva, os nomes dos estrangeiros vão para a Polícia Federal e depois, para a Interpol - a polícia internacional.

Os promotores nunca conseguiram ouvir esses estrangeiros, porque nunca foi possível confirmar os endereços deles no exterior. Até tentaram, mas, segundo os promotores, as empresas ou não ajudaram a localizar os executivos ou deram endereços em que eles não foram localizados.

"Estamos fazendo requerimento de prisão desses estrangeiros para que eles sejam persuadidos a comparecer e responder o processo criminal que deve ser instaurado assim como os demais que têm localização, têm endereço fixo e que compareceram à promotoria durante a investigação", disse o promotor Marcelo Mendroni.

O presidente da Siemens no Brasil, Paulo Ricardo Stark, disse que a empresa não pôde fornecer informações sobre os funcionários estrangeiros por causa das leis alemãs - que protegem a privacidade dos cidadãos de lá.

A Bombardier afirmou que não comentará a decisão dos promotores de São Paulo, mas ressaltou que o denunciado não trabalha mais na empresa. O Jornal Nacional não conseguiu contato com a Hyundai-Rotem - que tem sede na Coreia do Sul.

Assinatura de acordo

Nesta quinta-feira (27), a Siemens anunciou a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público Estadual no qual se compromete a colaborar com as investigações sobre a formação de cartel em licitações do Metrô e da CPTM.

Stark disse que a Siemens vai compartilhar documentos e motivar testemunhas para colaborar com as investigações do Ministério Público. Segundo ele, os dados são adicionais aos informados no acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

"Com esse acordo, nós damos mais um grande passo em direção ao esclarecimento e apuração das responsabilidades em direção aos casos em investigação. Nós vamos compartilhar documentos, facilitar a motivação de algumas testemunhas a colaborar também e com isso nós esperamos viabilizar dessa forma bastante esclarecimento a fatos que talvez não tenham sido apurados em sua totalidade", disse o presidente da Siemens. "Acredito que com esse marco e com nossa política de tolerância zero, a gente está deflagrando uma operação mãos limpas", complementou. "Temos um passado do qual a gente não necessariamente  se orgulha, mas não vamos ficar sentados em cima do rabo e o que nós queremos efetivamente é esclarecer, colocar um fim a esse episódio da única maneira correta, que é colaborando."

A empresa denunciou ao Cade um suposto cartel formado por empresas em contratos do Metrô em São Paulo e no Distrito Federal e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Cartel é um acordo ilegal entre empresas concorrentes para elevar preços de produtos e serviços e obter maiores lucros.

O acordo com o MP foi negociado durante quatro meses e terá vigência inicial por 90 dias, prorrogáveis. Neste período, a Siemens se compromete a entregar documentos de todos os negócios realizados em São Paulo entre 1998 e 2007. O acordo abrange 14 inquéritos civis contra a empresa em andamento com oito promotores do Patrimônio Público e Social.

Segundo o Ministério Público, o TAC pode levar a um futuro acordo para que a Siemens seja obrigada a indenizar os cofres públicos pelos crimes cometidos.

Denúncia à Justiça

Na terça-feira (25), o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) anunciou que fez a denúncia à Justiça de 30 executivos de 12 empresas do setor de transportes por crime de cartel e irregularidades em 11 licitações. No total, são cinco denúncias envolvendo contratos com o Metrô ou a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

As licitações investigadas foram realizadas entre 1998 e 2008, quando o estado de São Paulo foi governado por Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, todos do PSDB.

As cinco denúncias foram protocoladas na Justiça na segunda-feira (24), de acordo com o promotor Marcelo Mendroni, do Grupo de Atuação Especial de Combate aos Delitos Econômicos (Gedec). Agora, os pedidos serão distribuídos para juízes, que decidirão se abrem processos e tornam réus os 30 denunciados.

Segundo Mendroni, e-mails trocados entre as empresas participantes dos cartéis indicam que elas se juntavam com o objetivo de superfaturar contratos. Como parte do acordo, empresas que venciam as licitações contratavam as perdedoras como prestadoras de serviços.

Sobrepreço de R$ 835 milhões

Os cinco contratos investigados somam R$ 2,7 bilhões em valores da época em que foram firmados, segundo cálculos do promotor. Como a intenção verificada era de superfaturar os contratos em aproximadamente 30%, a estimativa de Mendroni é que o sobrepreço tenha sido de R$ 835 milhões.

Segundo o levantamento do MP, as empresas citadas nas denúncias são Alstom, Balfour Beatty Rail Power Systems Brasil Ltda., CAF, Bombardier, Daimler-Chrysler, Hyundai-Rotem, MGE, Mitsui, Siemens, Tejofran, Temoinsa e T'Trans.

Os contratos em que há suspeita de cartel são: 1) manutenção dos trens das séries S2000, S2100 e S3000, da CPTM; 2) extensão da Linha 2-Verde do Metrô; 3) projeto Boa Viagem, da CPTM; 4) projeto da Linha-5 do Metrô, inicialmente a cargo da CPTM e aquisição de 64 trens pela CPTM.

Neste último, segundo o promotor, as empresas Siemens e Hyundai fizeram um acordo, mas a licitação foi vencida pela empresa espanhola CAF, que ofereceu condições mais vantajosas. Nessa licitação, não há acusação em relação à CAF.

"Os fatos são independentes. Não houve um cartel só que praticou a fraude em todas as licitações. Eles concorreram pontualmente. Um cartel com empresas variadas para cada projeto", disse. Com informações do G1.com