LEI KANDIR

No Senado, Wellington vai pra cima de Paulo Guedes

"Nós esperávamos que o ministro falasse sobre a Lei Kandir. E, para nossa decepção, praticamente não disse praticamente nada", criticou

por GazetaMT

28 de Março de 2019, 10h38

No Senado, Wellington vai pra cima de Paulo Guedes
No Senado, Wellington vai pra cima de Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, decepcionou senadores nesta quarta-feira, 27, ao dar como definidos os valores da Lei Kandir, que trata da compensação aos Estados exportadores de produtos primários e semielaborados. Resultado: o projeto de lei complementar 511/2018, deverá entrar em votação na Câmara dos Deputados já na semana que vem.

Paulo Guedes foi convidado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para fazer a apresentação das diretrizes e os programas prioritários da sua pasta no governo do presidente Jair Bolsonaro. Na pauta também estavam previstos debates sobre o endividamento dos Estados brasileiros e os repasses da Lei Kandir.

"Nós esperávamos que o ministro falasse sobre a Lei Kandir. E, para nossa decepção, praticamente não disse nada. Disse que está tudo resolvido porque hoje o pagamento é de R$ 1,9 bilhão da Lei Kandir, mais R$ 1,9 bilhão do Fundo de Compensação das Exportações (FEX) e que ele, agora, ia acertar por R$ 4 bilhões e estava tudo resolvido.  Claro que não é isso" - criticou o senador mato-grossense Wellington Fagundes. Segundo ele, a compensação que seria mais justa ao 'esforço de exportação' dos Estados e municípios é de R$ 39 bilhões.

Wellington esteve reunido na última terça-feira, 26, com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que assumiu o compromisso de colocar em pauta o relatório na semana que vem.

Pacto Federativo

Fagundes contrariou uma das principais bandeiras do guru econômico de Bolsonaro, o chamado pacto federativo. A ideia de Guedes era flexibilizar os gastos da União. "Pacto Federativo se faz, na verdade, com distribuição de renda, fazendo com que os municípios e os Estados tenham uma compensação justa", disse o senador.

Também na terça, Guedes e Bolsonaro sofreram importante derrota na Câmara. Deputados aprovaram a toque de caixa e chamada PEC do Orçamento, tornando os investimentos e gastos da União ainda mais rígidos, novamente na contração do pacto federativo.

O projeto chegou ao Senado após aprovação na Câmara dos Deputados na última terça-feira. Se depender dos senadores, a PEC terá uma rápida tramitação no Senado. Pela regra atual, as emendas individuais já são consideradas impositivas. A PEC estende a obrigatoriedade de execução às sugestões de gastos apresentadas por bancadas estaduais. Devem ser executadas emendas destinadas a obras e equipamentos até o limite de 1% da receita corrente líquida (RCL) do ano anterior.