DRAMA
Inválidos reclamam o não recebimento do benefício do INSS
Prazo determinado pela Justiça Federal é desrespeitado e contribuintes desprovidos do direito
28 de Abril de 2016, 10h41
Depois de anos de trabalho, contribuintes inválidos agora estão tendo dificuldades para receber benefícios no INSS. Duas mulheres que estão passando por este problema em Rondonópolis, decidiram procurar o GazetaMT para relatar o drama que estão vivendo.
Com os atestados em mãos e decisão judicial, Dionízia Correa de Souza, 61 anos, afastada do trabalho desde 2012, sofre com os problemas na coluna (hérnia de disco lombares e osteofitose, o conhecido bico de papagaio) e inflamações no nervo ciático e já foi orientada pelo seu médico a parar de trabalhar. Segundo o profissional que cuida de sua saúde, o diagnóstico é que se ela voltar a exercer qualquer atividade, terá um único destino: a cadeira de rodas.
Conforme a sentença emitida no dia 12 de novembro de 2015, a incapacidade total e permanente foi reconhecida, o que teoricamente asseguraria Dionízia a concessão de aposentadoria por invalidez. A juíza Juliana Maria da Paixão Araújo, julgou o pedido como procedente e determinou o pagamento de um salário mínimo, além do pagamento de parcelas em atraso, no valor de R$28 mil reais e o reembolso dos honorários periciais. O prazo para que tudo isso se tornasse realidade era o de 60 dias após decisão. Dionízia reclama que o INSS de Rondonópolis até agora não liberou o pagamento.
O caso de Magna Lemes do Prazo, 55 anos não é muito diferente. Para se manter já que não possui nenhuma renda, conta com a ajuda dos filhos e até vendeu sua casa para levantar dinheiro. Com desgaste no ombro direito (bursopatia e tendinopatia) e hérnia de disco (abaulamento na coluna na parte lombar), está afastada do trabalho desde 2013. 
Neste caso a decisão judicial também a considerou inválida e a mesma juíza citada, determinou no dia 13 de outubro de 2015 o benefício de auxílio doença e posterior conversão em aposentadoria por invalidez. Porém até o momento ela afirma que não foi contemplada pelo benefício.
A advogada que defende ambas contribuintes considera o não cumprimento do INSS com tais obrigações um desrespeito com as pessoas, uma vez que as decisões judiciais já foram determinadas e os prazos desprezados. Para a advogada que preferiu não se identificar, a injustiça está sendo muito cruel com estas pessoas que não estão pedindo um favor, e sim requerendo seus direitos.
"Nunca pediram para saber sobre os descontos em suas carteiras e em seus pagamentos, sempre foram realizado sem escolha. São pessoas que dependem desse benefício para comer, se sustentar e até realizar seus tratamentos de saúde. O mais difícil é que na cidade o INSS é inacessível, toda e qualquer providência depende da central de Brasília no número 135. Nos sentimos desamparados", desabafa a advogada.
Para resumir ambas estão na mesma situação: não trabalham porque não podem e não recebem porque não trabalham e o que lhes são de direitos é negado por que o INSS as consideram aptas para o serviço.

A redação entrou em contato com a delegacia do INSS de Rondonópolis mas não obteve sucesso.