Gol de placa: Fim do sigilo na Operação Ararath abre caminho para renovação política
28 de Maio de 2014, 05h00
Um ato de coragem. Um afirmação dos princípios democráticos que inspiraram a Constituição brasileira. Uma lufada de ar fresco num ambiente carregado pela promiscuidade e o silêncio arbitrário. Tudo isso pode ser dito da decisão tomada pelo juiz federal Jefferson Schneider, que acabou com o sigilo judicial que impedia a divulgação das informações coletadas no inquérito da Operação Ararath.
Agora, sem sombras e dentro da legalidade, todos poderão saber o que de fato foi apurado, quem são os acusados e os caminhos que, segundo o inquérito, eles seguiram para desviar o dinheiro público.
No caso da Justiça o fim do sigilo muda pouca coisa. Os prazos e possibilidades de recursos continuam os mesmos. A julgar pelo poder econômico dos envolvidos pode-se inclusive prever que o processo será longo.
Mas do ponto de vista da sociedade e do meio político, o impacto será quase imediato. E positivo.
No melhor dos cenários, os eleitores terão tempo suficiente para acessar as informações e formar um opinião abalizada - antecipando nas urnas, já em outubro, o castigo merecido aos mandatários flagrados em corrupção.
Schneider passou a bola para o povo. É só bater para o gol.