Indignação vazia: Chefe do MPE-MT esbraveja, mas não esclarece suspeitas de pagamento de propina

por GazetaMT

28 de Maio de 2014, 09h29

Indignação vazia: Chefe do MPE-MT esbraveja, mas não esclarece suspeitas de pagamento de propina
Indignação vazia: Chefe do MPE-MT esbraveja, mas não esclarece suspeitas de pagamento de propina

Chega a ser risível a indignação demonstrada por alguns políticos e autoridades colocados sob suspeição na 'Operação Ararath'. Esbravejam, dão murros em mesas, atacam os investigadores... mas não esclarecem satisfatoriamente as denúncias imputadas a eles.

Veja-se o caso do procurador-geral do Estado, Paulo Prado, que, conforme planilha apreendida na casa do ex-secretário Éder Moraes, recebeu mais de meio milhão de reais. Prado e outros 46 integrantes do Ministério Público Estadual juram que o dinheiro é lícito, fruto da venda de precatórios recebido como pagamento por férias e direitos trabalhistas.

A planilha mostra que, no total, o grupo do MPE-MT abocanhou mais de quatro milhões de reais. O Ministério Público Federal suspeita que os pagamentos têm a ver com a postura, digamos, 'displicente' adotada pelos promotores estaduais em relação à farra iniciada no segundo governo de Blairo Maggi (PR) e mantida na gestão de Silval Barbosa (PMDB).

É claro que tudo merece investigação e aos acusados é sempre dado o benefício da dúvida. Mas, cá entre nós, é estranho que os promotores, em tese profundos conhecedores da legislação, tenham concordado em mergulhar no obscuro mercado dos precatórios para receberem direitos assegurados em lei.

Foram rápidos para cuidar dos próprios interesses, mas lentos, lentíssimos, para fazer a defesa do interesse público. E nenhuma indignação, falsa ou verdadeira, diminuirá as suspeitas que pairam sobre eles.