NOVO “TOCO”
PSB tira Garcia da CCJ da Câmara para garantir voto em favor de Janot
Na noite de ontem, o procurador-geral da República encaminhou ao STF um documento com 64 páginas denunciando Temer e um de seus aliados
28 de Junho de 2017, 07h44
Depois de pedir a renúncia do presidente Michel Temer (PMDB) por falta de condições de governabilidade, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) decidiu trocar os seus representantes na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para garantir todos os quatro votos no colegiado a favor da admissibilidade da denúncia do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer por corrupção.
A direção nacional do PSB identificou os deputados Danilo Forte (CE) e Fabio Garcia (MT) com posição contrária à aceitação da denúncia e decidiu substituí-los.
Mesmo mantendo o deputado Fernando Coelho Filho como ministro de Minas e Energia por uma opção individual do parlamentar e uma escolha pessoal de Temer, o PSB optou por engrossar a bancada de oposição ao Palácio do Planalto e enquadrar as dissidências na bancada da Câmara.
A substituição dos dois representantes da legenda na CCJ tem o objetivo de garantir os votos necessários à admissibilidade da denúncia de Janot.
Forte e Garcia serão substituídos por Hugo Leal (RJ) e Danilo Cabral (PE), suplentes no colegiado e favoráveis à abertura de processo para investigar crime de corrupção do presidente.
"Se os deputados que apoiam o governo não querem processar Temer, deixem o espaço para que a decisão do partido seja cumprida", disse o deputado Julio Delgado (PSB-MG). A formalização da troca dos deputados ocorrerá com a chancela da Executiva Nacional da legenda, caso os dois parlamentares não aceitem deixar o colegiado.
Na noite de ontem, o procurador-geral da República encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um documento com 64 páginas denunciando Temer e um de seus principais aliados, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), por corrupção passiva - trata-se da primeira vez que um presidente da República é denunciado no Brasil por suspeita de ter cometido crime no exercício do mandato.