TÁ PUXADO
Galli assiste jogo da Copa em sessão
Deputado acompanhava partida durante votação da “PL do veneno” enquanto colega olhava fotos de mulheres
28 de Junho de 2018, 14h04
Depois de seguidos adiamentos e de uma série de discussões acaloradas, os deputados da Comissão dos Agrotóxicos votaram na última segunda-feira, 25, o parecer do relator Luiz Nishimori (PR-PR) que flexibiliza as regras para a comercialização do produto no Brasil. Em quase dois meses de debates, o assunto mobilizou a atenção diferentes setores da sociedade, opondo representantes do agronegócio e um amplo movimento formado por artistas, ambientalistas e dirigentes de entidades ligadas ao meio ambiente e à área da saúde. A reportagem é do jornal carioca O Globo.
Apesar de todo o interesse em torno do assunto, alguns deputados encontraram questões mais urgentes para prestar atenção. Durante os debates acalorados, o deputado César Halum (PRB-TO), por exemplo, se divertia olhando a foto de uma mulher seminua em seu celular. Flagrado pelo jornal O Globo, Halum colocou a culpa no seu aparelho que seria "invadido por besteiras" a todo momento. "É o seguinte: você abre o celular, aí os caras vão e colocam isso aí. Eu abro toda hora para ver mensagem e aí de vez em quando vem isso aí. Também não vou olhar uma foto de macho com pau duro olhando para mim. Não tem nada a ver isso aí, não" justificou Halum.
Enquanto o colega olhava fotos de mulheres, o deputado Victório Galli (PSL-MT) se divertia acompanhando o jogo entre Portugal e Irã pela Copa do Mundo, que terminou com o placar empatado e com a classificação da equipe de Cristiano Ronaldo para a segunda fase.

Projeto foi aprovado por 18 votos contra nove
Ambos os deputados flagrados votaram a favor do projeto que regula os agrotóxicos. O projeto foi aprovado por 18 votos favoráveis e nove contrários. Grupos ambientalistas dizem que ele afrouxará a regulação dos agrotóxicos e poderá trazer riscos para a saúde humana. Eles apelidaram o projeto de "PL do Veneno". Já os ruralistas, que são a favor da proposta e formaram maioria, dizem que a mudança trata da diminuição da burocracia no processo de certificação dos produtos e que não há risco para os consumidores.
Na prática, a proposta garante autonomia ao Ministério da Agricultura para registrar novos agrotóxicos, tirando da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) o poder de veto que atualmente esses órgãos têm.