CPMI

"Eu não dava vida boa a nenhuma empreiteira" diz Pagot em depoimento a CPMI

O ex-diretor do DNIT foi questionado sobre os motivos que levaram Cachoeira a armar sua queda no órgão. Ele comenta relações com a Delta

por YURI RAMIRES/ DE CUIABÁ

28 de Agosto de 2012, 14h30

"Eu não dava vida boa a nenhuma empreiteira" diz Pagot em depoimento a CPMI
"Eu não dava vida boa a nenhuma empreiteira" diz Pagot em depoimento a CPMI

Luiz Antônio Pagot ainda segue prestando depoimento na CPI do Caso Cachoeira. Logo no começo, Pagot se denominou como trabalhador e diz ser preocupado com o próximo. Além disso, ele lembrou sua trajetória até chegar ao posto de ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. 

Ele afirmou também que não conhecia o contraventor Carlos Cachoeira pessoalmente e que desconhecia também o envolvimento do mesmo com a empresa Delta. Porém, afirma conhecer Fernando Cavendish, presidente da Delta e Cláudio Abreu, coordenador da empresa no Centro-Oeste. 

EXONERAÇÃO 

O ex-diretor comenta que recebeu a noticia com muita tristeza e que foi um momento muito amargo na sua vida. Em certos momentos ele se sentia como um morto vivo, um fantasma. Pagot lembra que ficou estarrecido com o fato de ter sido alvo de uma armação de Cachoeira e Fernando Cavendish para ele sair do Dnit. 

Questionado os reais motivos para que o contraventor armasse o esquema que o tirou da direção ele conta que deve-se a sua atuação séria dentro do órgão. "Eu não dava vida boa a nenhuma empreiteira", comentou. 

OBRAS NA BR-364 - SERRA DE SÃO VICENTE

Segundo o depoente, os problemas na obra da BR 364, na Serra de São Vicente (MT) teria sido um dos dissabores para Claudio Abreu ajudar a tirar Pagot do Dnit. "As placas de concreto estavam com especificação com concreto aquém do exigido. Logo, foi exigido a recomposição de acordo com o laudo do TCU", comenta, afirmando que isso teria causado dissabor a Claudio Abreu. 

JANTARES COM EX-SENADOR

Pagot comentou que chegou a ser pressionado pelo ex-senador goiano Demóstenes Torres. Segundo ele, o senador queria que a Delta Construções tivesse contratos assinados para executar duas obras em Mato Grosso devido uma dívida do senador com a empresa em troca de apoio nas eleições. 

Ele contou que foi convidado pelo ex-senador para um jantar em sua residência no começo de 2011. Ao chegar lá - diferente de um outro jantar que havia ido, em 2010 - haviam alguns diretores da Delta, tal como Fernando Cavendish, dono da empresa e o diretor no Centro-Oeste, Cláudio Abreu.  

Após o jantar, o ex-parlamentar convidou Pagot para conversar em uma sala reservada. "Ele me disse que tinha uma dívida com a Delta, devido o apoio da empresa nas campanhas, e de alguma forma ele precisava incluir a empresa em alguma obra, inclusive duas em Mato Grosso." lembra.

Diante disso, Pagot afirma que isso não poderia ser feito. "Eu disse, lamento senador, mas não posso te atende. Não tem possibilidade do Diretor Geral ir ao mercado e pedir para reservar uma obra para a Delta", conta a resposta ao ex-senador.