Prisão de dois acusados de matar João César pode esclarecer mistério que ainda ronda Rondonópolis
29 de Outubro de 2012, 08h45
A imprensa divulgou neste final de semana a informação de que a Polícia Civil prendeu dois acusados de assassinar o servidor público João César Domingos da Silva. Até o momento há poucas informações sobre as circunstâncias do crime ou mesmo sobre a investigação que resultou na prisão dos suspeitos - um menor e outro adulto, identificado como Matheus Michel dos Santos Silva.
João César era candidato a vereador pelo PMDB quando foi assassinado. Antes disso ocupou postos importantes nas gestões do atual prefeito, Ananias Filho, e de José Carlos do Pátio. Cuidava do acompanhamento de projetos e autorizava pagamentos milionários para empreiteiras e outros prestadores de serviço ao município. Ele era influente e bem relacionado no meio político, o que levantou suspeitas de que o crime tivesse ligação com suas atividades públicas.
Caso se confirme as informações já publicadas, é preciso reconhecer que a Polícia Civil está fazendo sua parte no sentido de esclarecer os fatos. No entanto, é fundamental que todas as explicações sejam repassadas ao público (via imprensa), de modo a não pairar dúvidas sobre o resultado do trabalho.
Aguarda-se, portanto, uma entrevista coletiva onde os jornalistas possam ter acesso aos responsáveis pelo inquérito policial e também aos acusados. Precisamos conhecer as versões, as provas e os procedimentos adotados para assegurar que a versão do latrocínio possa realmente ser transformada de uma 'hipótese' em um 'fato'.
É necessário que tenhamos transparência total na divulgação das informações. Sem isso, corremos o risco de jamais afastar inteiramente as dúvidas dos que ainda suspeitam que João César foi morto por motivações políticas ou devido a atuação que tinha na Prefeitura de Rondonópolis.
Em tempo: Na manhã de hoje (29) o delegado Claudinei Lopes, que preside o inquérito, informou que pedirá autorização à Justiça para conceder uma entrevista coletiva à imprensa ainda nesta segunda-feira. O delegado não negou e nem confirmou as informações que foram divulgadas e disse que só com autorização judicial poderá revelar detalhes do inquérito, que corre sob sigilo de Justiça..