Soja
Em Primavera do Leste, tempo chuvoso anima sojicultores a plantar
Município passou mais de 20 dias sem chuvas. Tempo chuvoso que começou no fim de semana permanece
29 de Outubro de 2014, 09h02
Em Primavera do Leste, região Leste de Mato Grosso, o céu carregado anunciando chuva e máquinas plantadeiras estão por todo o campo. A chuva que cai desde o sábado (25) levou os produtores ao campo para correr atrás do tempo perdido devido à estiagem prolongada. Foram mais de 20 dias sem chuvas.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que o município plantará 272,8 mil hectares de soja na safra 2014/15, produzindo 867 mil toneladas do grão.
De acordo com o gerente técnico da Aprosoja-MT, Luiz Nery Ribas, no final de semana, choveu de 50 a 70 milímetros no município. "Mas o que mais colaborou com os efeitos da seca foram as altas temperaturas. A sensação térmica é de 38° a 40°, mas no campo elas são mais altas", afirma.
Nas propriedades do grupo Nativa, a aquisição de novas máquinas foi feita pensando em um plantio e colheita mais ágeis nesta safra. Foram compradas duas plantadeiras de 33 linhas para algodão e soja e seis colhedoras de soja. Mas apenas 4 mil hectares dos 12 mil que serão destinados para soja pelo grupo foram semeados quando caiu a primeira chuva, no dia 29 de setembro.
"Achávamos que a chuva ia ter continuidade, mas o plantio teve que parar dia 10", explica o gerente técnico Volnei Leite. O plantio recomeçou nos dias 23 e 24 de outubro em 800 hectares e, na segunda-feira (27), deu seguimento. "Agora vamos até o fim", diz.
Para esta safra, a produtividade ainda é uma incógnita. A média é de 60 sacas por hectare, mas o gerente aguarda os resultados, estimados entre 50 a 55 sacas por hectare devido à falta das chuvas. Segundo ele, com a falta de água, a parte radicular se desenvolveu, porém a parte aérea das plantas deve se desenvolver com mais intensidade a partir da chegada do período chuvoso. "Acreditamos que pode vir a cair por causa do stress hídrico."
O planejamento da propriedade é de que até 20 de janeiro o plantio de algodão já esteja finalizado.
Já na propriedade de Agenor Aires de Melo Júnior, no mesmo município, o plantio dos 364 hectares de soja começou no dia 27 de setembro, quando era esperada chuva durante a noite. Foram 30 milímetros de chuva quando ele e o filho Júlio Humberto Aires de Melo foram para o campo operar a plantadeira.
Ele conta que já havia chovido muito mais durante o mês todo, o que o animou a plantar na época. "Tinha chovido 150 mm em setembro, depois do plantio foram 23 dias sem chover, mas o que nasceu ficou, não perdi plantas", diz.
Hoje a lavoura dos Aires de Melo não parece ter passado por um período de seca. São 165 hectares com soja convencional, mais resistente a nematóides, e 190 hectares com uma variedade transgênica. Segundo seu planejamento, até fevereiro a mesma área para o milho já estará plantada.
Apesar do adiamento do plantio, o gerente técnico da Aprosoja, Nery Ribas, está otimista com o andamento dos trabalhos no campo. "Segundo o Imea, há um atraso de 30% no plantio em relação ao ano passado, mas em 15 dias o plantio vai se igualar à safra passada, porque os produtores vão plantar 24 horas", afirma Ribas.
Com informações do Portal G1.