ACUSADA DE TORTURA

Pela 7° vez Ledur é removida do quadro de promoções do Corpo de Bombeiros

Além dela, outro militar acusado de vender matérias para alunos do curso de formação do CB, também teve o nome excluído da lista.

por Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

29 de Outubro de 2019, 06h50

Pela 7° vez Ledur é removida do quadro de promoções do Corpo de Bombeiros
Pela 7° vez Ledur é removida do quadro de promoções do Corpo de Bombeiros

Reprodução / Mídia News

A tenente do Corpo de Bombeiros, Izadora Ledur de Souza Dechamps, acusada de práticas de tortura que resultaram na morte do aluno Rodrigo Claro, de 21 anos, durante treinamento, foi novamente retirada da lista de candidatos à promoção da instituição.

Esta é a sétima vez que a militar tenta a promoção para a capitã da instituição.

O pedido de promoção negado, se deu pelo fato de ela não preencher o item "conceito moral", por responder ao crime de tortura na Vara Militar, pela morte do aluno.

Neste conceito, são analisadas as qualidades e atributos dos militares, caracterizados pela honra, dignidade, honestidade e seriedade que o militar estadual deve possuir no desempenho de suas funções e no convívio social.

"A comissão decidiu por unanimidade por não incluir no quadro de acesso por antiguidade a 1° tenente Izadora Ledur por ter sido denunciada por crime tipificado na lei n°. 9455/97 que define os crimes de tortura, não preenchendo assim o requisito constante do Artigo 21, incido 3", diz trecho de documento.

Quem também teve seu nome removido da lista de candidatos a promoção foi o tenente-coronel Licínio Ramalho Tavares, acusado de ter vendido materiais a alunos do curso de formação de soldados em 2016.

Para o Ministério Público Estadual (MPE), ele e outro e o tenente-coronel José Ribamar dos Reis Marinho, aproveitaram das funções que exerciam para vender aos alunos os materiais exigidos para a realização das aulas práticas como óculos, mosquetões, capacete, luva de raspa, cabo da vida, kit de salvamento, entre outros.

Os materiais comercializados, conforme apurado durante inquérito policial militar, tiveram um custo de aproximadamente R$ 850.

O documento que informa a exclusão dos oficiais, é do dia 24 de outubro.

Reprodução

Rodrigo Claro

Rodrigo morreu no dia 15 de novembro de 2016, após passar mal em uma aula prática, pelo 16º Curso de Formação de Soldado Bombeiro do Estado de Mato Grosso, realizada na Lagoa Trevisan, na Capital, na qual Ledur atuava como instrutora.

De acordo com a denúncia do MPE, apesar de apresentar excelente condicionamento físico, Rodrigo demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outros exercícios.

Embora os problemas do rapaz tenham chamado a atenção de todos, os responsáveis pelo treinamento não só ignoraram a situação como utilizaram-se de métodos considerados reprováveis, tanto pela corporação militar, quanto pela sociedade civil, para “castigar” os alunos do curso que estavam sob sua guarda.

Além de Ledur, outros cinco militares também respondem pela morte de Rodrigo. O processo corre na 11ª Vara Criminal Militar, aos cuidados do Juiz Marcos Faleiros da Silva.

Audiência marcada

A próxima audiência do caso da morte de Rodrigo Claro está marcada para o próximo dia 04 de novembro às 14h. Neste dia será realizada as oitivas de peritos, médicos e outras testemunhas arroladas no caso.