O Aprendiz

Presidente da Câmara de Cuiabá aparece em vídeo onde negocia propina

Ele é alvo da operação O Aprendiz, tocada pelo Grupo de Atuação no Combate ao Crime Organizado (Gaeco)

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29 de Novembro de 2013, 10h22

Presidente da Câmara de Cuiabá aparece em vídeo onde negocia propina
Presidente da Câmara de Cuiabá aparece em vídeo onde negocia propina

O presidente afastado da Câmara Municipal de Cuiabá, João Emanuel (PSD), genro do também afastado presidente da Assembleia Legislativa, José Riva (PSD), aparece em um vídeo no qual negocia com uma empresária uma o pagamento por uma área supostamente grilada. Ele é alvo da operação O Aprendiz, tocada pelo Grupo de Atuação no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que é um grupo de atuação especial  criado pela  Procuradoria Geral de Justiça  em   1995,  que tem como função básica o combate a organizações criminosas.

No vídeo, João Emanuel sugere para a empresária burlar a lei e beneficiá-la em uma licitação da Câmara. "Se eu quiser fazer um registro de preço nosso lá, a gente faz, coloca um item ai, uma máquina que vocês só tem, ou enfim cria um... Não, não pode colocar [marca] tem que colocar só inspeção de vinte e quatro horas e tal e vocês, enfim, nós pagamos um trabalho lá pra arrumar", afirmou.

O presidente afastado ainda cita os demais vereadores, o que levou o Gaeco a notificar os demais 24 vereadores à prestarem esclarecimentos sobre a suspeita de que eles receberiam propina do esquema.

"Ali é só artista, o mais tranquilo a senhora nem imagina", diz João Emanuel no vídeo, sugerindo que todos os parlamentares cuiabanos recebem propinas. 

Em entrevista coletiva concedida na capital, João Emanuel se disse inocente e negou qualquer envolvimento em esquema de fraude em licitações e que tenha participação em fraudes com falsificação de assinaturas em um cartório na cidade de Várzea Grande e classificou a ação como 'política'.

"É uma ilação. Em nenhum momento somos alvos de investigação. O documento do Gaeco é específico para fazer busca e apreensão de documentos, contratos. Isso é claramente uma demonstração de ações políticas. O processo eleitoral já esta chegando. Já está chegando 2014", declarou. 

"O próprio nome da operação, o Aprendiz, diz de uma forma toda vexatória, tentando já qualificar um processo deflagrado pela justiça eleitoral 2014 a qual nós não temos a menor dificuldade em responder", completou, qualificando a operação de "ação política". 

De acordo com informações levantadas pelo próprio Gaeco, João Emanuel estaria envolvido em um esquema de "grilagem", falsificando documentos de imóveis que eram usados como garantia para contrair empréstimos com agiotas para serem usados na sua campanha para deputado estadual no ano que vem.

O pagamento dos 'terrenos' seriam feitos por meio de processos licitatórios fraudados na Câmara Municipal.

A gráfica Documento, da empresária flagrada negociando no vídeo com o presidente afastado do Legislativo cuiabano, venceu o pregão presencial 015/2013 e foi a primeira empresa a celebrar contrato com a Câmara, sob João Emanuel . Ela faturou um contrato de R$ 1,6 milhão para prestação de serviços gráficos e fornecimento de material de expediente para escritório.

O vídeo pode ser conferido clicando aqui.