Delírio Coletivo

PCCS com alterações fará “novos milionários” com salários de até R$25mil

Para prefeito, com a aprovação de emendas faltará recursos para município oferecer serviços à população

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29 de Fevereiro de 2016, 17h02

PCCS com alterações fará “novos milionários” com salários de até R$25mil
PCCS com alterações fará “novos milionários” com salários de até R$25mil

Na sexta-feira (26) os vereadores de Rondonópolis em segunda votação aprovaram o Plano de Cargos e Carreiras e Salários (PCCS), que aumentará a despesa do município em cerca de R$4 milhões com o pagamento da folha. Algumas categorias foram privilegiadas e com alterações no projeto original enviado pelo executivo, passarão de R$15 mil para até R$25 mil de salário, já outras não tiveram grandes resultados, mostrando certa desigualdade do projeto. Nos dias de votação, os servidores compareceram em peso na Casa de Leis, vaiando, aplaudindo e pressionando o Legislativo.

Em tom de desabafo, o prefeito Percival Muniz declarou com exclusividade ao GazetaMT seu descontentamento mediante a aprovação e se disse sem entender o que aconteceu, que esse resultado não passa de um delírio coletivo.

"Encaminhamos para o poder executivo um plano de cargos e carreiras do servidor no meu primeiro mandato de prefeito, e como já se passaram 16 anos, era preciso fazer revisões. Esse plano foi debatido amplamente com as categorias nestes dois anos, sempre observando o equilíbrio econômico do município", explica o prefeito.

Percival lembra que com o novo desenho do projeto houve muitas conquistas para os servidores, mas a revisão também realizou cortes. Para o administrador do município, ao longo do tempo foram criadas muitas vantagens para alguns, formando assim castas de privilegiados no município que se sentiram "prejudicados" com a revisão e assim criaram emendas trazendo à tona seus privilégios inclusive ampliados.

"O PCCS está voltando ao poder Legislativo com mais privilégio que o projeto anterior. Isso significa que alguns funcionário de partida já terão R$10.850 de salário, mais benefício e cotas incrementadas passará a receber R$20 mil reais, enquanto há servidores com salários de R$800 reais. Nós adequamos para corrigir esse privilégio e eles conseguiram convencer os vereadores e agora estão voltando com mais. Isso é um absurdo", desabafa o prefeito.

Para Percival, essa aprovação é uma verdadeira vergonha, um escárnio na cara do trabalhador que paga imposto. Para ele, a sociedade deve reagir frente a este projeto que faz um servidor ser pago para trabalhar por 30 horas por semana com todos os benefícios e salário agora milionário.

"Em momento de crise e desemprego que passa o país, aprovar salários de marajás é um deboche. Esses beneficiados não ficam nem vermelhos, corados ao menos em vista de tanta ilegalidade, aumentando substancialmente a folha que já está no limite", critica Percival.

Segundo o prefeito a folha já está no limite da capacidade de pagamento. Não há dinheiro para fazer asfalto ou qualquer outra obra. Um exemplo disso são os artifícios que foram usados para a conclusão para a ponte do Rio Vermelho, que só foi possível mediante financiamento e o recurso de uma área vendida para Unimed.

"Numa situação difícil a gente pensa que o poder Legislativo vai ajudar a população a diminuir as despesas para poder sobrar para atender a população, mas aproveita da situação e faz um trem da alegria em plena crise" ironiza.

O projeto agora virá para o Prefeito que sem dúvida irá vetar. Depois volta para a Câmara que derrubará ou não os vetos do projeto. "Espero que tudo isso tenha sido apenas um momento de euforia. Estou sem entender o que aconteceu, não sei nem se isso dá voto. Partir para uma campanha sendo responsável por ter criado uma categoria de marajás, onde as pessoas estão desempregados e outras estão lutando para ter um "empreguinho" de R$1000 à R$1500 reais, não sei não" prevê.

Agora o prefeito disse que vai esperar a poeira baixar. Para ele, os vereadores devem repensar, e em pleno juízo revisar tal atitude, pois caso contrário faltará recurso para a compra de remédio nos postos de saúde, começará haver atrasos na folha, entre outros problemas.

"Eu francamente acho que o Legislativo vai acordar, tenho essa esperança - Foto: Luan Dourado/ GazetaMT"Eu francamente acho que o Legislativo vai acordar, tenho essa esperança. Mas de vez enquanto isso acontece, acho que o bom senso vai prevalecer vamos ter maturidade, principalmente quando a sociedade se deparar com esse projeto que com certeza lhe dará um susto. Acredito que a sociedade vai reagir, eu tenho certeza que a população se levantará. Tenho a esperança de que foi um momento de delírio democrático, delírio eleitoral, mas que ainda está em tempo para consertar. Saiu muita coisa desse delírio que será de altíssimo custo caso isso não seja corrigido", confia Percival.

Quanto a valorização do funcionário o prefeito esclareceu que o plano já é parte dessa valorização, porém o funcionário deve trabalhar satisfeito, e que isso é sua obrigação, afinal ele ganha para isso. "O plano original já fazia justiça com 80% dos servidores, dentro do equilíbrio, porém aumentar 43% para algumas categorias é uma injustiça, uma inversão de valores", finalizou Percival Muniz.