Avaliando

Primeiro comandante do Gefron destaca atuação na fronteira

Um dos fundamentos era a integração das forças de segurança

por GazetaMT

29 de Março de 2016, 14h45

Primeiro comandante do Gefron destaca atuação na fronteira
Primeiro comandante do Gefron destaca atuação na fronteira

Invasões, carros roubados, saques a fazendas, roubo de gado e o narcotráfico a operar com liberdade. Antes da chegada do Grupo Especial de Segurança na Fronteira (Gefron), a fronteira de Mato Grosso com a Bolívia era uma "terra de ninguém".

A avaliação é do coronel PM Leovaldo Sales, um dos idealizadores e primeiro comandante da tropa especializada, que completou 14 anos no dia 13 de março.

"Nós temos testemunhos de proprietários de áreas que disseram que o Gefron resgatou toda uma vida econômica, social e política na fronteira. O grupamento veio e trouxe tranquilidade para o os produtores desenvolverem suas atividades", disse o Coronel, hoje aposentado.

O Gefron foi concebido em 2000 e entrou em operação em 2003. Comandante até 2005, Sales lembra que a rotina de operações era intensa. "Praticamente todos os dias eram apreendidas drogas e carros. O Gefron chegou a fazer em um ano a apreensão de mais de 3 toneladas de pasta base de cocaína", contou.

O início

O Gefron nasceu a partir de uma discussão conjunta entre a Secretaria Nacional de Segurança Pública e os 11 estados da federação que fazem fronteira com outros países, incluindo Mato Grosso.

O projeto, orçado à época em R$ 5,5 milhões, considerava peculiaridades como a grande faixa seca e também os rios da região.

"Começamos a operar o Gefron com quase 40 viaturas, entre caminhões home care, que possibilitava a guarnição permanecer dias em determinado lugar da região de fronteira. Nós também trouxemos armamento atualizado na época chamado sniper, fuzil de alta precisão", destacou.

Um dos fundamentos era a integração das forças de segurança: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e Polícia Judiciária Civil.

"O Gefron era efetivamente uma força integrada, dotada de capacidade operacional em termos de transporte, mobilidade e comunicação", disse Sales.

O relacionamento era muito estreito com as autoridades bolivianas, conta Sales, com a realização de seminários, palestras e intercâmbio de experiências e informações.

"As autoridades da Bolívia também estavam incomodadas com tanta criminalidade operando ali naquela região e nos ajudaram muito", disse.

Importância para o país

Aos 55 anos, casado e pai de dois filhos, Sales, que está na reserva da Polícia Militar, descreveu o grupamento como o maior projeto que implementou em sua carreira. Uma referência nacional.

"Quero parabenizar a todos aqueles que integram o grupo e também trazer uma palavra de incentivo para que continuem a fazer esta força ser reconhecida não apenas pela população fronteiriça. O Gefron é útil não apenas para Mato Grosso, mas para o Brasil e o mundo".