CRISE NA SAÚDE
Ainda com médicos em greve, hospitais filantrópicos paralisam atividades das UTI’s nesta sexta-feira
29 de Abril de 2016, 07h45
A partir de hoje (29) os quatros Hospitais Filantrópicos de Mato Grosso (Santa Helena, Santa Casa, Hospital de Câncer e Hospital Geral Universitário) dão por suspenso o recebimento de novos pacientes na internação das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) atendidos pela rede pública. As unidades de saúde alegam falta de repasse do Estado e não cumprimento de promessa feita pelo secretário Estadual de Saúde Eduardo Bermudez. Em Rondonópolis, a suspensão já vinha desde a última terça-feira (26).
Po aqui a já anunciada e, por enquanto, irreversível greve dos médicos. Sobre as UTI'S no restante do Estado, a presidente da Federação das Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas (FEHOSMT), Elisabeth Meurer, denuncia o descumprimento do acordo firmado junto ao secretário no último dia 16 de abril. "Confiamos no secretário e no governo do Estado, porque pediram para voltarmos a atender os pacientes e que na segunda-feira (18) faria o pagamento da dívida que já chega a R$ 4,941 milhões".
Segundo Meurer os hospitais só irão voltar a atender os pacientes quando o dinheiro estiver na conta dos hospitais. "Caso isso não aconteça os atendimentos estão suspensos por tempo indeterminado. Até a nota de esclarecimento que a SES mandou para a imprensa ele não cumpriu", lamentou Meurer.
Meurer disse que mesmo diante de um déficit mensal de leitos de terapia intensiva em nosso estado, a SES não repassa os valores para manutenção dos leitos existentes e contratualizados, que representam juntos 40 leitos de UTI Geral Adulto, 8 leitos de UTI Coronariana, 10 leitos de UTI Pediátrica e 45 leitos de UTI Neonatal, um total de 103 leitos disponibilizados de UTI em Cuiabá.
Os pacientes do SUS poderão contar apenas com os leitos ofertados pelo Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (PSMC) e Hospital São Benedito, que correspondem apenas 10% do total disponível.
Elisabeth esclarece que todos os hospitais não têm medido esforços para prestar um atendimento digno aos pacientes recebidos nas UTI's."Pedimos a compreensão da população, mas não podemos mais receber pacientes se não temos como tratá-los, isso tudo porque o governo promete e não cumpre com os seus compromissos, mesmo depois de frequentes negociações".