“BAIXO NÍVEL”

Após citar “leviandade e irresponsabilidade” prefeito diz “governador é o maior propagador de fake news”

Visivelmente irritado, prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), veio a público na manhã desta sexta-feira (29) e esclareceu que governador “espalha mentiras” e faz “jogo político ensaiado” e será acionado por isso na Justiça

por Karollen Nadeska, de Cuiabá

29 de Maio de 2020, 15h41

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Divulgação

O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), visivelmente “irritado” com as circunstancias em que foi acusado de cometer ilícito, com o fechamento de leitos públicos de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), num rombo de R$ 41 milhões ao município, rebateu as acusações e afirmou que irá acionar o governador Mauro Mendes (DEM) na Justiça Federal por ter violado os princípios e a Lei de Contravenção Penal.

Conforme o prefeito, o governador “é o maior propagador de fake news” uma vez que vem divulgando informações inverídicas sobre a transparência da aquisição de leitos públicos, encaminhados pelo Ministério da Saúde para o enfrentamento da Covid-19 no Estado.

“Cara, você é o governador do Estado e está sendo o maior propagador de mentiras, de notícias falsas, só para me afetar politicamente. Então já que você diz que é a verdade, então você vai responder porque eu vou te representar e você vai ter que me provar, senão você vai pagar no rigor da Lei”, disse durante uma transmissão ao vivo na rede social.

Nesta quinta-feira, o Governo do Estado, por meio da Procuradoria Geral (PGE), anunciou que protocolou junto ao Ministério Público Federal (MPF), uma denúncia para que se apurem atos ilícitos realizados com os R$ 41 milhões recebidos pelo município para o combate ao coronavirus.

As irregularidades vão desde a habilitação de leitos junto ao Ministério da Saúde sem nenhuma comprovação de que realmente estão disponíveis e equipados, até a falta de transparência na destinação das quantias vultosas recebidas do Governo Federal, uma vez que há constantes notícias de falta de EPIs, atrasos de pagamento de médicos e outros materiais básicos nas unidades de saúde de Cuiabá, além da inexistência de registros de compras dos equipamentos necessários para equipar as UTIS.

O prefeito alega não ter praticado nenhum ato ilícito com esses recursos. “Vocês nem se entendem. Uma hora você fala que eu não abri nenhum leito para a Covid-19 e no outro dia você fala que eu fechei leitos. Ué, se eu não abri como é que eu vou fechar?”, questiona.

Além disso, ele acusa o governador e seu secretariado de “fazer jogo político ensaiado” para prejudica-lo no seu bom relacionamento com a população cuiabana.

“Enquanto você vai contra mim como governador bate no prefeito e fala esse um monte de mentiras, de leviandade, de irresponsabilidade, talvez seja um ódio pessoal seu, um amor platônico, eu não sei o que que é. Mas, esse é um problema seu. Agora quando você começa a prejudicar Cuiabá, aí você compra encrenca comigo, aí você me tirou do sério, aí eu estou vendo que não tem mais limite o seu julgo do poder pelo poder. Um empresário frio, insensível e calculista, que governa pra poucos e que governa pra ricos, que não tem piedade de quem está sofrendo e que não pensa no pobre, no humilde, nos mais sofridos, isso é deplorável, porque você está prejudicando a minha gente, prejudicando a minha cidade”, diz e emenda.

“Então o seu grau de irresponsabilidade e de mentira chegou a tal ponto que não resta outra alternativa para mim, e olha que eu tentei de todas as formas.  Mas depois que eu vi aí vocês se movimentarem com jogo praticamente ensaiado aqui e acolá, tentando vender uma mentira, criar ‘factóides’, vendendo uma mentira para a população, tentando dizer que a prefeitura fechou leitos”, contextualiza.

Pinheiro disse que autorizou a Procuradoria Geral do Município a processar o governador com base no artigo 41 de Lei de Contravenção Penal e ainda estudar enquadrá-lo na Lei de Segurança Nacional. A medida seria para puni-lo por gerar pânico na sociedade na promoção de mentiras nas redes sociais e outros meios. Dito isto, Pinheiro criticou o chefe do Poder Executivo Estadual pelo “baixo nível”.

“Antes de repassar qualquer informação via WhatsApp ou outro meio, tenha certeza que poderá estar colaborando para um mal maior. O mesmo prevê prisão e também sugere aos cidadãos checar se o material repassado é verídico ou não. Então a verdade vai vir à tona”, pontua.

“No artigo 41 diz o seguinte: provocar alarde anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz de produzir pânico, é o que o senhor que deveria pregar a estabilidade, a paz social e a ordem está pregando. O senhor quer gerar pânico, caos mútuo, em cima de uma mentira sob a atuação da prefeitura de Cuiabá e com isso jogar a população cuiabana contra mim, tentar me derrubar politicamente”, critica.

“Pelo amor de Deus Mauro Mendes, estamos no meio de uma pandemia, pessoas estão morrendo, o vírus está corroendo o interior do Estado e você não está nada. Uai 51 mortos isso não toca o seu coração como pai de família? Eu vou te representar, você vai responder por isso”, emenda.