REALIDADE DA EPIDEMIA

MT registra 7 óbitos em curto intervalo de tempo e secretário critica: “jovem não pode ir pra farra e não usar máscara”

Secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, enfatiza que grupo assintomático como os jovens, não são autoimunes e muitas vezes estão infectando a própria família por não apresentar sequer sintomas leves da doença

por Karollen Nadeska, de Cuiabá

29 de Maio de 2020, 09h28

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Divulgação

O Estado de Mato Grosso registrou em três dias úteis 7 óbitos em decorrência do diagnóstico da novo coronavirus (Covid-19). A informação é do secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo.

De acordo com o secretário, as mortes foram registradas nas cidades de Várzea Grande, Cuiabá, Jauru, Jangada e Rondonópolis, porém só foram registradas no boletim de atualização, nesta quinta-feira (28).

“Olha o que aconteceu ontem: sete novos óbitos praticamente consolidados no mesmo dia. 170 novos casos. Será que isso é ficção? é muito triste que a população seja séptica e não esteja preocupada com isso”, afirma.

No último dia 25, um morador de Várzea Grande que era portador de hipertensão e diabetes morreu em virtude de complicações causadas pelo novo coronavirus. No mesmo dia, um paciente com problema vascular não resistiu e veio a óbito em uma unidade da Capital.

No dia 27, o Estado registrou mais duas mortes, sendo ambas do município de Várzea Grande. Trata-se de duas pacientes do sexo feminino, entre elas uma adolescente de 17 anos, que tinha obesidade e rinite alérgica. E nesta quinta, dois homens e uma mulher morreram. Todos tinham comorbidades.

“O que chama atenção é que no início dessa pandemia acharam que as crianças todas estavam ilesas e nós temos aí praticamente recém-nascido que foi acometido e foi a óbito por força da Covid. Nós tínhamos jovens que nem tinham comorbidades e foram afetados e viraram vítimas de Covid. Então é lógico que não dá que os jovens se comportem como se isso não fossem com eles, até porque se os jovens são mais resistentes muito provavelmente é nesse universo da população que estão os assintomáticos”.

“São aqueles que não sentem nada, mas o que ele faz?! convive com os adultos, ele convive com os idosos. Então esse jovem também tem que se controlar. Ele não pode ir pra farra, ir pra festa e não usa máscara e depois volta pra casa e tem um comportamento e aí vai infectar a família”, rechaça o secretário.

O secretário durante o anúncio dos dados, fez um alerta quanto ao movimento nas ruas sem a necessidade. Além disso, ele criticou a circulação só por conta do anúncio da prefeitura de Cuiabá de liberar a reabertura dos shoppings centers e popular a partir do dia 3 de junho.

“Isso aqui não é uma história de ficção. O Brasil já bateu casos recordes no mundo. Já chegamos à marca de mais mil óbitos por um dia no Brasil. Nós já temos registrados mais de 26 mil. Não há dúvida que a gente vá ultrapassar mais de 100 mil mortes infelizmente. Nós até poucos dias atrás tínhamos menos de 10 óbitos e já estamos em 54”, enfatiza.

Figueiredo explicou, contudo, que embora o Estado seja um dos menos afetados, devido a sua estrutura, “não existe situação confortável em pandemia, porque ela é confortável pra você porque não teve ainda um ente perdido. Para aquele que já teve um óbito na família o desconforto será de anos, talvez nunca passe”, finalizou.

Mato Grosso registrou até está quinta-feira (28). 2.089 casos confirmados do novo coronavirus, sendo desses 137 pacientes internados, 69 em leitos de UTIs, 65 em leitos de enfermaria.