Arquitetura sustentável

por por Mariana Tampieri

29 de Junho de 2012, 18h18

Arquitetura sustentável
Arquitetura sustentável

Mariana Tampieri, arquiteta e consultora em arquitetura da Dom Gabriel

Nunca o mundo precisou tanto de instrumentos para garantir o desenvolvimento sustentável. Engraçado pensar que muitos ainda consideram esta questão apenas moda, mas a bem da verdade é que não se trata mais de uma escolha, e sim de ação imediata com responsabilidade e respeito às gerações futuras.

Atualmente a indústria da construção civil é responsável pela extração de 20% dos recursos naturais, 40% do consumo mundial de energia e 16% do consumo de água, além de ser geradora em grande potencial de poluições atmosférica e residual. Na tentativa de equilibrar estes impactos, a arquitetura sustentável consolidou-se definitivamente ganhando destaque no cenário mundial, inclusive sendo um dos pontos discutidos na Conferência Rio +20.

A arquitetura sustentável visa produzir edificações com conforto termo-acústico e eficiência energética reduzindo os impactos negativos ao meio ambiente e aos usuários através de tecnologias limpas e recursos renováveis. A perfeita integração entre o projeto e o entorno no qual está inserido garante qualidade de vida para população e entende o edifício não só como obra de arte, mas também como parte do habitat vivo. São novos partidos arquitetônicos altamente criativos e intimamente ligados com aumento de ganhos sociais sendo economicamente viáveis e causando menores impactos.

Não há receita para a sustentabilidade e cada projeto terá soluções diferenciadas, únicas e personalizadas para se tornar mais equilibrado. Vale ressaltar a importância da ação em conjunto com os outros profissionais participantes do processo, pois a sustentabilidade é uma questão multidisciplinar. Os princípios básicos de uma construção sustentável estão ligados às seguintes questões: qualidade ambiental externa e interna; redução do consumo energético com ênfase em fontes alternativas; redução de resíduos; redução no consumo de água; aproveitamento de condições naturais locais; implantação e análise do entorno; reciclar e reutilizar resíduos sólidos; uso de materiais certificados e renováveis.

Simples medidas como trocar válvulas de bacias sanitárias convencionais por outras com duplo fluxo permitem economia de água e educação ambiental. A captação e reaproveitamento de águas pluviais também auxiliam na redução do consumo de água.

Para a redução no consumo de energia as luminárias de LED entram no mercado, pois são de 50% a 80% mais econômicas que as comuns. O uso de aquecedores solares e aproveitamento da iluminação natural também são boas estratégias neste sentido.

E para aqueles que acham que a construção sustentável é mais cara, estudos mostram que em alguns casos podem até reduzir os custos quando as soluções ambientalmente sustentáveis são adotadas na fase de concepção do projeto. Durante o uso e ocupação do edifício a economia pode chegar a 30%, compensando o investimento. Importante mesmo, além dos reais economizados, é o benefício gerado ao meio ambiente. Ser consciente e praticar: o mundo agradece!